Receio dos profissionais de saúde em relação à vacina da gripe A é “atávico e menor”
05.11.2009 - 13:51 Por Lusa
O director da Faculdade de Medicina do Porto e do Serviço de Pneumologia do Hospital de S. João, Agostinho Marques, classificou hoje de “meramente atávico e menor” o receio que alguns profissionais de saúde têm revelado em relação à vacina da gripe A.
“Se há alguma terapêutica testada no mundo inteiro com sucesso é a vacina da gripe. Ela é sempre igual, muda o vírus, mas o processo de fabrico é sempre o mesmo. Eu vacino-me há muitos anos e não é por razões nobres, é para me proteger”, afirmou.
Agostinho Marques falava à margem das Jornadas de Patologia Respiratória em Medicina Familiar, organizadas pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. As entidades que aprovam a vacina da gripe “são muito conservadoras, muito prudentes e muito cautelosas”, sublinhou o pneumologista, salientando que “desde que ela foi aprovada e até agora já saíram uma série de artigos nas revistas de topo que confirmam a sua segurança”.
“Esses medos não ficam muito bem aos médicos, faz falta que leiam. Os médicos não são todos peritos em gripe e comportam-se neste domínio como doentes, como pessoas da população geral”, lamentou Agostinho Marques. O clínico considerou “vital” para a comunidade e para a luta contra a doença que os médicos se vacinem, porque “daqui a algum tempo, na altura em que vão fazer mais falta, alguns vão estar doentes”. “Deviam vacinar-se porque fazem parte do grupo de risco, mas este ano qualquer cidadão tem uma probabilidade importante de ter gripe A e muito baixa probabilidade de ter a sazonal, porque a sazonal é muito rara”, frisou.
Segundo Agostinho Marques, “um adulto normal tem gripe sazonal menos de uma vez em dez anos, mas a probabilidade de contrair a gripe deste ano é de pelo menos um terço”. “A gravidade é idêntica a sazonal, mas tem, aparentemente, menos mortalidade porque está atingir um grupo etário que não tem o costume de morrer. Gente com menos de 50 anos habitualmente escapa, gente de 80 ou 90 com a mesma doença morre”, disse.
Entende que “há muito boas razões para as pessoas se vacinarem mesmo sem ser por questões de altruísmo, porque a gripe, não matando, é muito penosa, dá muitas dores musculares e muito mal-estar”. Defende, por isso, que se houvesse vacinas disponíveis todas as crianças a deviam tomar. “Se os seis milhões de vacinas já estivessem disponíveis virava-se tudo ao contrário. O que era vital era vacinar as crianças porque parava-se a progressão da doença”, acrescentou.
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