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Causa da morte só depois da autópsia

Rapaz de dez anos é a primeira criança a morrer com gripe A em Portugal

28.10.2009 - 21:13 Por Alexandra Campos

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O Ministério da Saúde confirmou que o rapaz de dez anos que ontem à tarde morreu no Hospital D. Estefânia, em Lisboa, estava infectado com o vírus H1N1, depois de familiares da criança terem avançado a informação, em directo no Telejornal da RTP. Mas o ministério esclarece que a causa da morte só será determinada após a autópsia. A criança sentiu-se mal no fim-de-semana, mas só na terça-feira procurou ajuda médica.

João Matos (arquivo)

O hospital confirmou que a criança estava infectada com gripe A mas aguarda a autópsia para dizer a causa da morte

Apresentava os sintomas de uma gripe normal e aparentemente era saudável o menino de dez anos que ontem à tarde morreu infectado com o vírus da gripe A no Hospital de D. Estefânia, em Lisboa. Adriano começou a sentir-se mal logo no fim-de-semana e na segunda-feira, ao fim da manhã, pediu na escola para voltar para casa porque estava com dores de cabeça.

Mas só na terça-feira foi ao hospital. Passou, primeiro, pelo Hospital de S. Francisco Xavier, em Lisboa, voltou para casa e piorou de uma forma galopante. Com vómitos e diarreia, às 6h da manhã de ontem deu entrada no D. Estefânia, até há pouco tempo o hospital de referência na Zona Sul para os casos pediátricos de infecção pelo novo vírus. Ficou internado e ainda foi ventilado, mas acabou por morrer de tarde.

Adriano foi a primeira criança a morrer com gripe A em Portugal. Ao início da noite, o Ministério da Saúde confirmava que o rapaz estava infectado com o vírus H1N1, depois de a sua madrasta ter avançado a informação, em directo no telejornal da RTP. "Foi tão rápido", descreveu Dory Aragão.

Sem doenças conhecidas, o menino frequentava uma escola na zona do Restelo (EB23 Paula Vicente) onde já havia mais quatro casos confirmados, mas não se ponderava encerrar o estabelecimento, afirmou o director à Antena Um.

Ontem, o Ministério da Saúde adiantou apenas que as análises laboratoriais deram positivo para o H1N1, mas frisou que não há ainda resultado da autópsia, remetendo mais informações para o Hospital de D. Estefânia.

Em comunicado, o Conselho de Administração do hospital revelou que a criança morreu no Serviço de Infecciologia, depois de ter dado entrada na urgência por volta das 6h00, "com sintomatologia gripal" e que o vírus H1N1 foi identificado nas suas secreções respiratórias. O hospital sublinhou também que aguarda ainda o resultado da autópsia (que está marcada para hoje) para determinação da causa de morte.

Disseminação nas escolas
Entretanto, o número de focos (clusters) de gripe A em escolas disparou nos últimos sete dias (de 22 a 28). O Ministério da Saúde registou 149 focos (vários casos de alunos infectados no mesmo estabelecimento) na última semana em escolas de todo o país, quando, em semanas anteriores, o total declusters não chegava, em média, a uma dezena.

No balanço sobre a evolução da epidemia ontem divulgado, o ministério decidiu avançar este dado pela primeira vez devido ao aumento significativo do número de casos e ao impacto que a gripe começa a ter nas escolas, um pouco por todo o país.

O balanço dá conta também de um aumento no número de doentes com sintomas de gripe observados nos serviços de saúde na semana de 19 a 25 de Outubro - 4732, quase mais dois mil do que na semana anterior. Neste período, estiveram internados 47 doentes, quatro dos quais em unidades de cuidados intensivos.

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