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Problema das listas de espera

Oftalmologistas propõem ao Governo consultas com privados para resolver listas de espera

08.05.2008 - 12:49 Por Lusa

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A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia propôs hoje que o Estado contratualize directamente com os médicos privados consultas e cirurgias de oftalmologia para resolver o problema das listas de espera na especialidade.

Paulo Pimenta (arquivo)

O problema das listas de espera em consultas oftalmológicas é mais político do que técnico, diz presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

"Os oftalmologistas estão disponíveis para estabelecer acordos com o Serviço Nacional de Saúde, assim haja vontade política para o fazer", afirmou em conferência de imprensa Jorge Breda, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

Para este responsável, o problema das listas de espera para cirurgia e primeira consulta de oftalmologia nos hospitais públicos portugueses é essencialmente político e não técnico ou de recursos humanos.

A ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou ontem no Parlamento, que na área da oftalmologia está identificada uma elevada lista de espera para cirurgias, nomeadamente às cataratas, mas que serão primeiro esgotadas as capacidades do sector público e só depois se avançará para a contratualização com os sectores privado e social.

A Sociedade defende ainda que passe a bastar a proposta de qualquer oftalmologista para um doente se poder inscrever na lista de espera para cirurgia e não ter que aguardar pela consulta com o médico de família e depois pela consulta hospitalar.

"A partir do momento em que qualquer oftalmologista faça o diagnóstico e passe um relatório, o doente apresenta esse documento na Administração Regional de Saúde e está automaticamente inscrito na lista de espera. Só nisto poupamos um ano", estimou Jorge Breda. "O SNS, além de contratar com a Cruz Vermelha, Misericórdias e hospitais privados, deverá também contratar, em igualdade de condições, os mesmos serviços de cirurgia com o médico que o doente escolher", defendeu.

Responsável não adiantou quais seriam os preços das consultas e cirurgias
Os oftalmologistas consideram que o doente deve ter a liberdade para escolher o médico que o vai operar e que o vai seguir: "a relação médico-doente é fundamental. Queremos que os doentes tenham a possibilidade de ser operados pelo médico em quem confiam".

"Os doentes não podem ser vendidos como um rebanho de cataratas a uma empresa intermediária que oferece serviços a cinco mil pessoas", acrescentou. Jorge Breda prevê que "bastantes" dos 800 oftalmologistas existentes em Portugal estejam disponíveis para aderir ao sistema de contratualização, mas não avançou qualquer estimativa dos preços que poderiam ser praticados nas consultas e cirurgias.

Questionado pelos jornalistas sobre se este regime pode levantar um problema de incompatibilidade por os clínicos poderem vir a tratar nos seus consultórios doentes encaminhados pelo SNS, o presidente da Sociedade remeteu essa análise para os juristas e políticos.

"Isso têm de ser os juristas e os políticos a resolver. Mas tem de haver penalizações para que os médicos não prejudiquem os hospitais", comentou.

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia queixa-se que "não tem havido vontade política para ouvir os médicos" e lamenta que a ministra da Saúde "não tenha tido a preocupação" de ouvir as suas propostas. Questionado sobre como analisa o facto de haver doentes que podem cegar enquanto estão em lista de espera, o responsável considerou que essa questão "deve chocar os políticos e quem neles votou".

Protocolos com Cuba
O problema das listas de espera para operações de afecções oftalmológicas tem levado algumas câmaras municipais a assinarem protocolos com os serviços de saúde cubanos para levarem idosos, que necessitam de tratamento, à Cuba. Alandroal já levou 14 utentes para o país e Santarém assinou no final de Abril passado o protocolo.

No início do mês, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) considerou desnecessário o envio de cidadãos portugueses para Cuba. Para a associação, o país tem capacidades, nomeadamente no serviço de saúde privado, para conseguir responder às necessidades dos utentes.

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Números

"Basta contabilizar o número de consultas e intervenções cirúrgicas por médico que ocorrem no SNS e ...

Oftalmologista só privado

08.05.2008 23:58

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