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Tabaco culpado pela perda de 146 mil anos de vida

O tabaco matou três vezes mais do que o álcool em Portugal

18.09.2008 - 16:21 Por Andrea Cunha Freitas

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Um estudo revelado hoje mostra os números relativos a 2005: O tabaco foi responsável por 12 mil e 600 mortes (11,7 por cento) e 4050 (3,8 por cento) dos óbitos são atribuíveis ao álcool. Aliás, o tabaco “ganha” em três frentes (mortes, custos e anos de vida perdidos) por uma margem que ronda o triplo do álcool.

Enric Vives-Rubio (arquivo)

O tabaco terá custado 490 milhões de euros ao país em 2005, segundo as contas dos investigadores

Entre uma morte por tabaco e outra por álcool, é caso para dizer venha o diabo e escolha. No entanto, uma das principais diferenças entre uma e outra parece estar no número. O estudo comparativo apresentado pelo economista Miguel Gouveia mostra isso mesmo. O tabaco mata três vezes mais do que o álcool.

Mas “ a mortalidade é um indicador pobre”, nota o investigador que detsa forma sublinha a importância dos danos que não fatais mas que afectam também os fumadores e consumidores de álcool. Mais uma vez feitas as contas, os autores do trabalho estimam que “em 2005 o tabaco tenha sido responsável por se terem perdido 146 mil anos de vida. Em contraste, o álcool gerou uma perda de um pouco menos de 43 mil anos de vida”. E conclui-se: o tabaco provocou danos na saúde 3,5 vezes maiores que o álcool.

Depois há, claro, o dinheiro. Afinal quanto custou o tabaco a Portugal? Sem contabilizar o dinheiro que os fumadores gastam no vício, os autores mostram como o vício está a custar caro ao país. “Estimamos que o tabaco tenha sido responsável por 126 milhões de custos com internamentos hospitalares e por mais 364 milhões de custos no ambulatório (medicamentos, consultas em centros de saúde e nos hospitais, meios complementares de diagnóstico) num total de 490 milhões. Por comparação ao álcool são atribuíveis 93 milhões de custos no ambulatório e 96 milhões em internamentos, num total de 189 milhões”. Mais uma vez, o resultado final ronda um triplo negativo a favor do tabaco: “Os custos atribuíveis ao tabagismo são 2,6 vezes maiores que os atribuíveis ao álcool”.

Mas o facto de o tabaco ser mais mortal, mais danoso e mais caro a Portugal e, no fundo, pior do que o álcool não significa em momento algum que o álcool não seja mau. Os investigadores alertam: Não está em causa a importância dos problemas devidos ao álcool, considerados consensualmente muito graves, mas também não deveria estar em causa que o tabagismo é um problema de saúde ainda maior e que não deve ser subestimado quando se definem as prioridades da política de saúde”.

“O Estudo Comparativo dos Custos e Carga da Doença Atribuíveis ao Tabaco e ao Álcool, realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa (CEA) e pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) da Faculdade de Medicina de Lisboa e liderado por Miguel Gouveia e António Vaz Carneiro, respectivamente, teve como principal objectivo estimar comparativamente a carga e os custos da doença atribuíveis a ambas as adições, tomando como base os dados das estatísticas demográficas e de saúde disponíveis em Portugal para o ano de 2005”.

No ano passado, a equipa liderada por Miguel Gouveia e António Vaz Carneiro tinha já divulgado o cenário exclusivo do tabaco.

Neste primeiro trabalho, o economista já constatava que um fumador tem uma probabilidade de ter um cancro do pulmão 23 vezes superior à de um não fumador. Na altura, a alta-comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, chamou a atenção para uma subtil redução do número de fumadores. Em 1998 20,5 por cento da população fumava e em 2005 a percentagem era de 20,2 por cento. Apesar disso, registava-se um aumento preocupante (40 por cento) nas raparigas entre os 15 aos 24 anos. E enquanto nos homens verificava-se uma diminuição da dependência em todas as faixas etárias, nas mulheres assistia-se a uma subida em todas as idades.

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Comentário + votado

ST

Estas afirmações e conclusões baseadas em estatísticas, apresentadas como "estudos científicos", ...

F Ribeiro

18.09.2008 23:21

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