Movimentos Acção Católica favoráveis à “aceitação da diversidade”
08.11.2009 - 18:57 Por Lusa
Os movimentos da Acção Católica defendem “uma abertura permanente à novidade para acolher os novos desafios e as exigências de renovação” e sustentam que um dos grandes desafios é “a aceitação da diversidade”.
Estas ideias são o resultado dos trabalhos que os movimentos desenvolveram ontem e hoje no Porto, no quadro das comemorações dos 75 anos da Acção Católica Portuguesa (ACP).
O documento divulgado após os trabalhos não menciona nenhum tema fracturante polémico, como os casamentos homossexuais, que o Governo pretende legalizar durante actual legislatura, mas que a Igreja contesta, havendo algumas vozes no seu interior que sugerem a realização de um referendo sobre o assunto.
O bispo emérito de Aveiro, D. António Marcelino, e o bispo de Vila Real, D. António Tomás, participaram esta tarde na celebração comemorativa dirigida a militantes e simpatizantes da ACP, mas recusaram comentar o tema, alegando que o contexto não era próprio.
Os movimentos entendem que “há caminhos não andados que esperam por alguém, e é essa a nossa atitude, de abertura à novidade, consciência de que as exigências, os desafios sociais e eclesiais, são na actualidade muito diferentes e que implicam respostas inovadoras e novas “presenças”. “Actualização da linguagem da fé, renovação de consciências, maior comprometimento da Conferência Episcopal Portuguesa com os Movimentos e dialogar com outras instituições”, são desafios que os movimentos católicos consideram também essenciais.
A ACP nasceu em 1933, pela mão do cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira e incentivo do Papa Pio XI, para estimular a participação dos leigos na Igreja Católica e, dessa maneira, estreitar a relação da Igreja com a sociedade. “O projecto original da Acção Católica era ter debaixo do mesmo chapéu todas as organizações católicas” e “fazer uma recristianização do país”, sustenta o historiador e professor universitário Pedro Fontes, autor de um estudo sobre a ACP.
Nos primeiros, anos, a organização deu origem a 20 movimentos especializados, organizados por sexo e idade e segundo os “meios sociais” da época - agrário, escolar, independente, operário e universitário. Nesses diferentes movimentos militaram várias personalidades conhecidas, como Maria de Lurdes Pintasilgo, que foi primeira-ministra e, em 1986, candidata a Presidente da República, e o sociólogo Adérito Sedas Nunes.
Maria de Lurdes Pintasilgo e Sedas Nunes, aliás, foram presidentes da Juventude Universitária Católica Feminina e da Juventude Universidade Católica, nos anos 50. “Os dois movimentos organizaram, em conjunto, aquele foi o primeiro congresso universitário, juntando duas mil pessoas no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, o que demonstrava capacidade de mobilização”, salienta Pedro Fontes.
O investigador recorda também o bispo D. António Ferreira Gomes, que em 1958 dirigiu uma famosa carta ao ditador António Salazar cujo teor “não se entende sem o movimento católico e sem a Acção Católica em que ele participava”.
D. António Ferreira Gomes, que foi bispo do Porto, esteve “ligado à organização do congresso Juventude Operária Católica de 1955 cujas conclusões não puderam ser divulgadas por causa da censura”.
A Acção Católica Portuguesa desapareceu em 1974, mas vários dos seus movimentos permaneceram e mantêm-se activos, sendo um deles a Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos. Esses movimentos reafirmaram hoje a sua “vitalidade, dinamismo e a continuidade como resposta para viver a esperança no mundo”.
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