Ministro do Trabalho recusa críticas à decisão de reduzir quotas de imigração
11.05.2009 - 15:16 Por Lusa
O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, recusou hoje as críticas de proteccionismo e xenofobia ao anúncio da redução das quotas para imigrantes extra-comunitários, justificando a decisão como sendo uma leitura "adequada" da conjuntura económica.
"Julgo que é algo que corresponde a uma leitura da situação que me parece adequada", afirmou hoje o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, à margem da cerimónia de acolhimento de 150 inspectores do Trabalho estagiários, que hoje decorreu no Centro Cultural de Lisboa.
"Portugal tem-se distinguido nos últimos anos por ter desenvolvido legislação no sentido de saber integrar os imigrantes que vivem e trabalham em Portugal, como nós gostamos que os nossos emigrantes sejam integrados nas sociedades onde vivem, e é isso que continuaremos a fazer, sem nenhuma segregação, sem nenhuma xenofobia", acrescentou, recusando também a ideia de proteccionismo.
Vieira da Silva explicou que a decisão do Governo resulta de uma diminuição de ofertas de emprego por parte das empresas que requisitam trabalhadores ao Instituto de Emprego e Formação Profissional, um indicador que, referiu o ministro, "permite estimar um volume de entradas de imigrantes em Portugal". De acordo com o responsável pela pasta do Trabalho, "aquilo que foi apresentado aos parceiros sociais foi um relatório técnico que aponta para, face à conjuntura económica, uma menor procura por parte das empresas desse tipo de contratações".
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, num jantar comício, referiu que quando sugeriu há alguns meses a redução das quotas de imigrantes foi chamado de xenófobo pelo Governo e disse que o executivo veio com esta medida "reconhecer o erro" de, na altura, ter recusado o pedido que apresentou para o fim da abertura total das fronteiras para imigrantes. Também o socialista António Vitorino criticou a decisão do Governo, dizendo que o número de entradas de imigrantes em 2008 foi muito baixo e que a medida representa o tipo de proteccionismo que critica.
Já o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, pôs em causa os benefícios desta decisão, dizendo que o Governo devia ser "mais cauteloso" em relação às políticas de imigração, devendo pesar a influência que estas decisões podem ter nos emigrantes portugueses.
O ministro Vieira da Silva disse na passada semana que, em consequência da actual crise económica, poderá ser reduzida este ano a quota dos imigrantes extra-comunitários que poderão trabalhar em Portugal, que em 2008 se fixou em 8600. "É razoável aceitar que, face ao abrandamento da actividade económica, haja também um abrandamento dos fluxos migratórios", declarou o membro do Governo.
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