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Oito por cento dos doentes vão necessitar de cuidados hospitalares, calcula a ministra

Linha Saúde 24 recebe seis mil chamadas por dia e não consegue dar resposta

10.07.2009 - 08:32 Por Alexandra Campos

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A Linha Saúde 24 está em sobrecarga, a receber uma média de seis mil chamadas por dia, quase o dobro do verificado há dois meses, altura em que já perdia centenas de telefonemas diariamente, soube o PÚBLICO. No início de Maio, quando surgiu o primeiro caso confirmado de gripe A em Portugal, a linha chegava a perder mais de 400 chamadas por dia.

Foi a própria ministra da Saúde que reconheceu ontem, no final do Conselho de Ministros, que tem havido "congestionamento do serviço em alguns momentos", sem contudo precisar números. E admitiu até a possibilidade de "repensar o formato da linha para [se] poder responder de outra forma, mais rapidamente".

Os picos de procura da Saúde 24 registam-se sobretudo após as conferências de imprensa em que Ana Jorge faz o ponto da evolução da gripe A (H1N1) em Portugal, e que são quase sempre transmitidas em directo pelas estações de televisão e sistematicamente rematadas por um apelo: em caso de suspeita da doença, antes de se dirigirem aos serviços de saúde, pede-se às pessoas que liguem primeiro para a Saúde 24 (808 242 424).

O responsável pelo call center, Sérgio Gomes, também reconheceu que, sobretudo nas duas últimas semanas, tem havido "um aumento significativo da procura". Remeteu, porém, para mais tarde o fornecimento de números e não foi possível estabelecer contacto de novo com ele até ao fecho desta edição.

Na conferência de imprensa de ontem, Ana Jorge tentou serenar os ânimos, explicando que a maior parte dos infectados, quando a epidemia se instalar, não vai necessitar de internamento hospitalar, ao contrário do está a suceder agora, nesta fase em que se tenta evitar a disseminação da doença.

Ontem surgiram mais dez casos, elevando para 71 o balanço desde final de Abril. Os doentes vieram dos mais variados destinos: Palma de Maiorca, Ibiza, República Dominicana, Reino Unido, Brasil, França, México. Nos Açores, no Hospital de Ponta Delgada, foi internada uma mulher de 33 anos, grávida de três meses, que veio de Espanha e está clinicamente bem.



Duzentos mil nos hospitais

Se as estimativas se confirmarem, diz a ministra, cerca de 92 por cento das pessoas que contraírem a gripe A não vão precisar de cuidados hospitalares. Poderão "ficar em casa", aliviando a pressão sobre as urgências. "As urgências e os hospitais deverão ser deixados para os oito por cento dos casos - isto é apenas uma estimativa -, porque se tratará de casos mais complexos a necessitar de cuidados hospitalares", explicou.

Ainda assim, num cenário em que 25 por cento da população seja afectada, esta percentagem representa 200 mil pessoas. Um pneumologista que preferiu não se identificar acha que este número é muito elevado, mesmo tendo em conta que por ano há cerca de um milhão de internamentos hospitalares em Portugal. Mas Mário Carreira, da Direcção-Geral da Saúde, nota que é necessário dividir por "cinco, seis semanas" esta taxa de ataque da população. E isto dará cerca de 40 mil pessoas atendidas por semana nos hospitais, um pouco mais de cinco mil por dia. "É uma pressão grande, mas suportável", acredita.

Relativamente às vacinas da gripe A, Ana Jorge esclareceu que o Estado português ainda não tem um contrato firmado com os vários laboratórios com os quais está a negociar, mas que isto está a ser ultimado. O que há, para já, é uma pré-reserva. "Foi definido o número de vacinas que seria importante Portugal ter garantido (para cerca de 30 por cento da população)", de forma a dar resposta aos grupos de risco já definidos, deixando uma margem para outros grupos ainda em estudo pela Organização Mundial de Saúde. Como grupos de risco já seleccionados, deu o exemplo dos doentes crónicos, dos profissionais de saúde, das forças de segurança e de grupos com funções essenciais de manutenção da sociedade. E anunciou que em breve será definido se as grávidas e as crianças fazem todas parte dos grupos prioritários (em Portugal a vacina contra a gripe normal é recomendada às grávidas nos dois últimos trimestres da gravidez e às crianças com determinadas patologias). Em avaliação está ainda a possibilidade de vacinar os idosos, que todos os anos são aconselhados a imunizar-se contra a gripe sazonal. Depois de na véspera ter defendido que não faz sentido adiar o início das aulas por causa da gripe A, a ministra notou ontem que o aparecimento de um caso numa escola não é razão para equacionar o fecho do estabelecimento.

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Comentário + votado

Além de não ter capacidade de atendimento nao tem qualidade!!!!!

Pois dúvido mesmo... que sejam infermeiras !!!!! O meu filho tinha todos os sintomas da gripe ...

Anónimo

22.10.2009 12:32

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