Governo lança plano de prevenção de incêndios depois do Verão
18.08.2005 - 18:58 Por Lusa
O Governo vai apresentar um plano de prevenção de incêndios depois do Verão, para minimizar as causas dos vários fogos florestais, anunciou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, após uma reunião nas instalações do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
Após um encontro em Carnaxide com os responsáveis pela coordenação do combate aos fogos florestais, que este ano já consumiram mais de 130 mil hectares, José Sócrates falou aos jornalistas e avançou que o seu Executivo responderá às causas estruturais mais tarde porque "o país não se pode resignar a esta tragédia anual".
"Há causas que não podem ser minimizadas", sustentou, antes de lamentar a morte de mais dois bombeiros e de apresentar condolências às famílias e respectivas corporações. "O país deve muito a quem está presente para defender" vidas e bens, afirmou, justificando, assim, a sua ida ao Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC).
Lembrando que este é um ano particularmente difícil pelas condições meteorológicas e pela seca, o primeiro-ministro recordou que o risco de incêndio tem sido muito superior ao de outros anos, mas realçou que as consequências não são tão graves como em 2003, o que justificou com uma melhor coordenação das forças de combate às chamas. Em 2003 arderam cerca de 425 mil hectares de floresta, contra os cerca de 130 mil de 2004.
Este ano, quando se estima que cerca de 132 mil hectares de floresta tenham já sido consumidos, as chamas já destruíram 27 casas e afectaram 489 explorações agrícolas.
São prejuízos aos quais o Governo não vai regatear apoios, garantiu o primeiro-ministro, lembrando que ainda hoje o Conselho de Ministros decidiu uma série de apoios às populações mais atingidas, para que rapidamente o que foi danificado possa ser reposto. E para isso, acrescentou, não é necessária uma declaração de calamidade pública, que "não serve para nada" e que "ao contrário podia prejudicar pessoas" e beneficiar instituições seguradoras.
José Sócrates lembrou que a lei sobre declaração de calamidade pública vai ser revista, como o ministro da Administração Interna, António Costa, já tinha revelado.
António Costa, também presente no SNBPC, disse que o Governo ainda não decidiu se vai prolongar ou não a época de fogos florestais, tudo dependendo das condições meteorológicas.
Sócrates fala em "exploração política" das suas férias
José Sócrates refutou ainda as críticas à sua ausência do país na época dos incêndios. "A exploração política do tema das minhas férias tem sido demagógica, injusta e mesquinha. O país teve um primeiro-ministro em funções", argumentou.
O CDS-PP tinha criticado o primeiro-ministro por se ausentar do país em férias em plena época dos fogos e reclamou a antecipação do seu regresso. Considerando as críticas "injustificadas", José Sócrates frisou que antes de partir acertou com o ministro de Estado e da Administração Interna, o "número dois" do Governo, "para que o país tivesse na coordenação de todo o Governo alguém que tem a responsabilidade pelo combate aos fogos". "As críticas são injustificadas, não são próprias da política mas da politiquice", frisou.
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