Face Oculta: CDS desconhece alegados donativos do principal suspeito
10.11.2009 - 10:50 Por PÚBLICO, Lusa
O secretário-geral do CDS-PP, João Almeida, afirmou esta madrugada que o seu partido não tem conhecimento de qualquer donativo recebido de Manuel Godinho, o principal suspeito na investigação Face Oculta.
"Não consta das contas de 2001, e não consta das contas centrais nenhuma transferência, nenhum cheque, em nome da pessoa em causa. Portanto, não aconteceu para as contas centrais do partido", afirmou o dirigente, esta madrugada, em Coimbra, no termo de uma reunião do Conselho Nacional do CDS-PP.
No entendimento de João Almeida, "a única hipótese, a ter existido esse donativo, é de ele ter sido feito para alguma campanha ao nível local", em virtude de 2001 ter sido um ano de eleições autárquicas. "Mesmo isso não tenho qualquer informação que o possa confirmar", sublinhou o dirigente. Embora escusando-se a comentar a notícia de donativos pelo suspeito principal da Face Oculta, o líder do CDS, Paulo Portas, observou: "Não se distraiam atenções."
Hoje, o arguido no processo Face Oculta Namércio Cunha chegou, por volta das 10h30, ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro, onde conhecerá as medidas de coacção a que ficará sujeito no âmbito daquele caso.
Pouco antes, o juiz presidente da Comarca do Baixo Vouga, Paulo Brandão, informou os jornalistas que estão no local de que o interrogatório a Namércio Cunha tinha terminado ontem à noite e que o arguido viria hoje de manhã ouvir as eventuais medidas de coacção decretadas pelo juiz de instrução, António Costa Gomes. Namércio Cunha começou a ser interrogado sexta-feira passada, tendo nesse dia à noite sido interrompida a inquirição, recomeçando ontem de manhã.
Segundo a investigação, Namércio Cunha estabelecia a ponte entre o principal arguido do processo, o empresário Manuel José Godinho, e a REN-Redes Eléctricas Nacionais, a empresa dirigida por José Penedos, outro arguido do processo.
Audição de Paiva Nunes adiada
Entretanto, a audição do arguido Domingos Paiva Nunes, da EDP, no âmbito do processo Face Oculta, foi hoje adiada pelo juiz de instrução criminal da comarca do Baixo Vouga, em Aveiro, anunciou o advogado Castanheira Barros.
Desde o dia 30 de Outubro, aquando do início dos interrogatórios judiciais, um arguido foi colocado em prisão preventiva (o empresário Manuel José Godinho) e três outros foram suspensos de funções: Manuel Guiomar, quadro da Refer, Mário Pinho, funcionário da Repartição de Finanças de São João da Madeira, e José Lopes Valentim, também quadro da Refer-Rede Ferroviária Nacional.
A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou no dia 28 de Outubro a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho.
No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do Millennium BCP (que suspendeu as funções), José Penedos e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.
Um administrador da Indústria de Desmilitarização da Defesa (IDD) também foi constituído arguido no processo Face Oculta, segundo o presidente da EMPORDEF, a holding das indústrias de defesa portuguesas.
Notícia actualizada às 11h17
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