Carolina Salgado acusa Pinto da Costa de ter comprado a irmã
18.01.2008 - 12:55 Por António Arnaldo Mesquita
Carolina Salgado afirmou hoje que a sua irmã gémea, Ana Maria Salgado, “foi comprada pelo Jorge Nuno Pinto da Costa”, quando depunha numa sessão da instrução do processo em que o presidente do Futebol Clube do Porto, o árbitro Augusto Duarte e o empresário António Araújo são acusados de corrupção.
A denúncia de Carolina Salgado, ex-companheira de Pinto da Costa, foi feita quando respondia à juíza de instrução sobre a relação com a sua irmã gémea. “Não nos falamos. A minha irmã mentiu e prestou falsas declarações.”
Em foco, na diligência que decorreu no Palácio da Justiça do Porto, esteve uma situação evocada por Ana Maria Salgado numa entrevista ao semanário “Expresso”. A irmã gémea de Carolina citava uma passagem do livro em que sua irmã colocou a fotografia de uma cómoda, frisando que era nesse móvel que Jorge Nuno Pinto da Costa foi buscar o dinheiro para supostamente subornar o árbitro Augusto Duarte, quando este o visitou na sua residência na Madalena, Vila Nova de Gaia.
Ana Maria assegurou que aquela cómoda nunca terá saído de um apartamento onde Carolina e Pinto da Costa viveram nos dois primeiros anos da sua relação marital. Ontem, Carolina Salgado acabaria por admitir que o presidente do FC Porto tinha tirado dinheiro de uma outra cómoda, “mais pequena”, que estava na sala da casa da Madalena.
Carolina Salgado referiu ainda que terá visto o presidente portista a entregar um envelope a Augusto Duarte, quando entrava na sala com cafés para as visitas. Mas não se lembrava de onde Augusto Duarte guardou o envelope. “Recordo-me de que ficou atrapalhado”, disse.
Em resposta à juíza de instrução, Carolina Salgado disse que Pinto da Costa lhe terá proposto, em Abril de 2006, “um mês após a separação”, o financiamento “para a abertura de uma loja em troca do meu silêncio”. E acrescentou: “Seria uma forma de suborno para que não contasse o que tinha visto.”
“E o que queria Pinto da Costa?”, perguntou a juíza. “Por exemplo, que eu não falasse da ida do árbitro [Augusto Duarte] lá a casa.”
No seu depoimento, Carolina Salgado disse que não se lembrava da hora a que Augusto Duarte e António Araújo chegaram à casa da Madalena e desmentiu que nesse dia estivesse doente.
No livro “Eu Carolina”, a autora garante que os árbitros Martins dos Santos e Augusto Duarte eram visitas do casal. Hoje, admitiu à juíza que ambos apenas foram uma vez à sua residência. Alertada pela juíza para a contradição, Carolina afirmou: “Fui eu a ironizar que eram vistas.”
As diligências prosseguem hoje à tarde, com a inquirição de Ana Maria Salgado, de Paulo Lemos (ex-namorado de Carolina Salgado) e da produtora Maria Fernanda Freitas, que redigiu o livro “Eu Carolina”.
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