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Tendência preocupa técnicos

Cada vez mais menores fogem na sequência de contactos feitos na Net

25.05.2007 - 09:23 Por Andreia Sanches

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Ana estava habituada a fazer amigos na Internet. "Sempre foi muito precoce", recorda o pai da menina. Aos 12 anos conheceu um rapaz num chat. Combinou com ele um encontro que, pelo menos na sua cabeça, só era possível concretizar fugindo de casa. Acabou por estar um fim-de-semana fora. Não foi a primeira nem a última fuga de Ana.

Darren Staples/PÚBLICO

Os técnicos estão preocupados com o contributo da Net para o desaparecimento de crianças

Nas paredes da sala onde funciona, em Lisboa, a sede da linha SOS Criança Desaparecida, do Instituto de Apoio à Criança, há fotografias de meninos de quem se perdeu o rasto nas mais diversas circunstâncias. A psicóloga Alexandra Simões, coordenadora do serviço, é a primeira a abordar o tema "Internet" quando se fala de desaparecimentos: "Para mim esta é uma das questões importantes." É que os casos de menores que fogem na sequência de contactos que fazem na net "estão a aumentar". Hoje assinala-se o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Maria tinha 13 anos quando, na net, encontrou um príncipe encantado de 15. Apaixonou-se. Da segunda vez que escapou de casa para atravessar o Alentejo e ir ter com ele a Lisboa "o príncipe estava acompanhado por dois cavaleiros", relata a psicóloga. E foi violada.

Outras vezes tudo não passa de um susto. "Uma menina de Leiria conhece um rapaz da sua idade na net, combinam fugir." Mas ele não contou tudo. "É maior e vacinado." Enganou-a. "Ela livrou-se de boa... mas por pouco."

Na Internet crianças e jovens de diversas idades "namoram e encontram almas gémeas, primeiro no Hi5 ou no MySpace", comunidades mais abertas, "depois passam para o Messenger e deste para os SMS no telemóvel", explica Tito de Morais, fundador de MiudosSegurosNa.Net, um projecto destinado a promover a segurança on-line dos mais novos. "Até que um dia combinam um encontro no mundo real."

"Do outro lado não tem de estar alguém que quer abusar ou explorar; as intenções são muitas vezes boas", diz. Mas os jornais vão dando conta de histórias com desfechos feios. E estes são "apenas os casos que se sabem."

O caso de Madeleine McCann (ver texto na página ao lado) tem feito disparar os telefonemas para a SOS - "para quem neste momento tem um filho desaparecido esta situação faz-lhes reviver a dor, estão frustrados, lamentam não ter notícias", diz Alexandra Simões. Mas a maior parte dos casos das crianças que desaparecem em Portugal não é idêntica ao de Madeleine.

Apesar dos pedidos do PÚBLICO nas últimas semanas, a Polícia Judiciária não forneceu dados sobre desaparecimento de menores. Mas sabe-se que as fugas continuam a explicar grande parte dos casos. E que o papel da Internet não deve ser menosprezado. Há alguns picos de participações: quando as notas da escola saem, ou quando vêm as férias.

"Sempre houve miúdos a fugir de casa", continua Tito de Morais, a diferença é que hoje pode ir ter com pessoas que já contactaram através da net, com quem enventualmente traçaram planos, mas que, na verdade, não conhecem. Aí residem os complexos contornos que estas fugas assumem. Para já não falar dos predadores sexuais e eventuais raptores que se escondem sob a fachada de uma identidade que atrai os mais novos.

Alexandra Simões nota que é, em geral, difícil estabelecer a fronteira entre "onde termina a fuga e começa a exploração sexual". Mesmo quando a Internet nada teve a ver com o desaparecimento. A psicóloga conhece bem rapazes que fugiram de casa ou de instituições e estão hoje nas ruas a prostituir-se ou ligados à pornografia infantil. "Uma das crianças desaparecidas neste momento já voltou a casa e foi-se embora outra vez, regressou à prostituição."

Mas a Internet também tem servido para levar uma criança a querer desaparecer - há casos de assédios e chantagens dos "amigos" com quem se partilham dados no espaço virtual. Regresse-se à história de Ana, que chegou este ano à SOS pela voz de um pai desesperado. "O sistema tem respostas para as crianças que são maltratadas pelas famílias e para as que cometeram crimes, mas não para casos como a minha filha", desabafa o pai.

Ana (o nome é fictício, como o das restantes crianças neste texto) fugiu pela primeira vez aos 11 anos, quando se envolveu com um rapaz de 17. As queixas e as denúncias na polícia foram-se sucedendo. Houve uma fuga com outro rapaz que conheceu no chat, outra com umas amigas, outra pouco depois de ter descoberto que um miúdo a filmou enquanto tiveram relações sexuais e colocou as imagens na Internet "o tempo suficiente para algumas pessoas verem", conta o pai. "Na escola ouvia piadas, começou a não querer ir". O que não terá sido alheio a mais uma fuga, no dia 10.

"Um inspector disse-me que não pode andar a perder tempo à procura de uma miúda que está sempre a fugir", conta o pai. No sábado, a rapariga regressou. Terá estado com um namorado de 15 anos. O caso está nas mãos de uma comissão de protecção de crianças e jovens. E esta semana Ana já foi à escola. Mas o pai sente-se impotente para lidar com a situação. "Não podemos estar a controlar sempre os nossos filhos". Na Internet. Como no mundo real.

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A história está incompleta e carece de uma crítica...

A história está incompleta e carece de uma crítica ao Estado por não possuir Leis adequadas às ...

Anónimo

25.05.2007 18:42

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