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"Excesso de vagas"

Associação de estudantes de medicina contra abertura de novos cursos

15.09.2006 - 11:29 Por Lusa

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A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) manifestou-se hoje contra a eventual abertura de novos cursos de medicina, alegando que as actuais escolas médicas já disponibilizam "um excesso de vagas" em relação às necessidades do país.

Adriano Miranda/PÚBLICO (arquivo)

Os alunos dizem que já há um excesso de vagas para a carreira

"Em causa está a ideia que se tem generalizado nos últimos anos de que são precisos novos cursos de medicina, mas criticamos em particular a recente petição da JSD/Algarve a pedir um curso de medicina na Universidade do Algarve", disse à Lusa a presidente da ANEM, Rita Rapazote.

Para a associação, a recente petição da JSD-Algarve "é pautada por uma desinformação evidente, além de utilizar dados oportunamente incorrectos".

Segundo a ANEM, nesta petição, já entregue na Assembleia da República, a JSD refere que entre 2013 e 2020 haverá um défice de médicos devido a um aumento do número de aposentações, ultrapassando o número de novos licenciados.

Os estudantes de medicina contrapõem que um estudo do Grupo de Missão Para a Saúde de 2003, coordenado pelo professor Alberto Amaral, conclui que entre 2000 e 2020 deverá verificar-se um excedente de 6.350 novos licenciados relativamente ao número de aposentações.

"A estes dados, já de si preocupantes, acrescenta-se a agravante das imigrações médicas (especialmente de Espanha e da República Checa), bem como o crescente aumento do numerus clausus", sublinha a associação.

A associação reconhece que Portugal tem problemas relacionados com o número de médicos, mas afirma que se devem a uma "distribuição regional desequilibrada" e a uma inadequada distribuição pelas especialidades, que "exigem medidas cuja ênfase tem que estar ao nível da organização do Sistema Nacional de Saúde".

A ANEM cita dados da Organização Mundial de Saúde, que indicam que Portugal dispunha em 2003 de 3,42 médicos por cada 1.000 habitantes, um valor acima da média europeia (UE - 25) de 3,28 médicos por mil habitantes.

Estes números colocam Portugal acima de países como Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Suécia, salientam os estudantes.

"A implementação de um novo curso implicaria uma grande concentração de recursos, quer a nível de infra-estrutura quer de equipamentos, aumentando o orçamento da formação por cada aluno", que actualmente é de mais de 10 mil euros por ano", argumentam.

Por outro lado, acrescentam, com o crescente número de vagas verificado nos últimos anos, as actuais escolas médicas sentem já uma clara carência de recursos humanos, principalmente no recrutamento de tutores para o ensino clínico.

Os estudantes afirmam que o financiamento destinado à formação médica é "manifestamente insuficiente" para conseguir garantir um corpo docente "à altura da excelência que se exige no ensino da Medicina" e consideram que este problema "se agrave e se replique com a abertura de novos cursos".

A presidente da ANEM realçou ainda que nos últimos anos diversas universidades privadas têm apresentado publicamente a intenção de abrir cursos de medicina, sucessivamente rejeitados depois de submetidos a aprovação.

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Título

Caro anónimo de Figueiró, nas cirurgias a vida do paciente depende mais do trabalho altamente ...

Anónimo

17.01.2008 20:17

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