APG nega "prática nacional" de corrrupção na GNR
19.05.2005 - 23:58 Por Lusa
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) negou hoje a existência de uma "prática nacional" de corrupção dentro da Guarda Nacional Republicana (GNR), apesar de reconhecer que havia "uma cultura enraizada" de receber "pequenas lembranças".
O presidente da APG, José Manajeiro, reagiu desta forma às declarações do inspector da Polícia Judiciária (PJ) feitas hoje durante o julgamento de 173 agentes da Brigada de Trânsito da GNR, que está a decorrer desde o dia 11 no Tribunal de Sintra.
O inspector António Pacheco, responsável pela equipa da PJ que liderou as investigações deste processo, afirmou em tribunal que a corrupção na GNR "é uma prática absolutamente generalizada e nacional".
"As declarações do senhor inspector são uma autêntica irresponsabilidade e uma ofensa à GNR. É injusto e não representa o que é a instituição", disse à Lusa José Manageiro.
"A esmagadora maioria da GNR não tem qualquer relação com este tipo de atitudes desviantes e estamos a falar num universo de milhares e milhares de elementos que dão a vida pela instituição", afirmou o presidente da APG.
"A maioria das práticas irregulares [na GNR] foram corrigidas, o que não quer dizer que não existam, mas são residuais, como em qualquer instituição", frisou.
Durante a sessão de hoje do julgamento, o inspector da PJ afirmou ainda que "a corrupção na GNR não é só ao nível de cabos ou sargentos" e que as alegadas irregularidades "só aconteceram" porque a "estrutura hierárquica o permitiu".
"Péssima investigação que atingiu apenas os mais fracos"
José Manageiro reagiu a estas declarações, afirmando que neste caso houve "uma péssima investigação que atingiu apenas os mais fracos e desprotegidos", uma vez que "a grande maioria" dos elementos da Guarda que estão sentados no banco dos réus são "vítimas do sistema instalado pela GNR durante muitos anos".
"Alguns destacamentos do trânsito tinham uma cultura que estava enraizada de receber pequenas lembranças. Mas os homens que estão a ser julgados são as vítimas dos homens que instalaram esse sistema", lamentou o presidente da APG.
"Não quero falar de questões concretas, contudo, sei que havia práticas que não eram as mais correctas para uma instituição que faz fiscalização", disse José Manageiro, referindo que alguns militares "recebiam ofertas de forma banal e ninguém via isso como um ilícito".
O inspector António Carlos Pacheco foi a primeira testemunha ouvida no Tribunal de Sintra, onde estão a ser julgados 173 militares da Brigada de Trânsito da GNR de Lisboa, Leiria, Torres Vedras, Carregado, Coimbra, Santarém e Setúbal, acusados de crimes de corrupção passiva para acto ilícito.
Os agentes são acusados de receber benefícios financeiros de empresários, que, em troca, não eram "incomodados" durante as operações de fiscalização de trânsito.
Além dos militares, o julgamento do processo de corrupção na Brigada de Trânsito da GNR envolve 22 empresários ou representantes de empresas, que alegadamente beneficiariam dos favores prestados pelos elementos da Guarda.
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