Sócrates não quer referendo sobre aborto no Verão
23.02.2005 - 09:14
O futuro primeiro-ministro, José Sócrates, não o afirmou explicitamente, mas alertou que dificilmente o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez será realizado ainda este ano.
À saída da audiência com o Presidente da República, ontem, ao final da tarde, no Palácio de Belém, Sócrates foi confrontado com as declarações de Francisco Louçã - durante a manhã, também em Belém, o dirigente do Bloco de Esquerda defendeu a realização da consulta popular em Junho próximo (ver página 12) - e começou por recuperar as mesmas afirmações proferidas durante a campanha: "Não, não é possível comprometer-me com nenhum calendário. Não depende de nenhum governo, nem de nenhum partido."
Sócrates assegurou, porém, que o governo socialista quer repetir o referendo sobre o aborto, mas o agendamento da consulta "seria negativo". O futuro Governo PS pretende obter a vitória do "sim" - "Queremos fazer um referendo para o ganharmos", afirmou -, mas a hipótese de o realizar em Junho ou no início de Julho (a marcação do referendo está condicionada pelas eleições autárquicas e pelas presidenciais) parece não agradar aos socialistas. Isto porque, argumentou Sócrates: "Não me parece bem fazê-lo num mês de Verão, quando muitas pessoas estão de férias." De qualquer forma, acrescentou, o PS vai "deixar isso em aberto".
Instado a reagir à demissão de Santana Lopes da liderança do PSD, José Sócrates disse não querer comentar o assunto. Comentou, contudo, as declarações feitas por Morais Sarmento à saída de Belém (ver p. 12), em que aquele vice-presidente do PSD voltou a criticar a dissolução do Parlamento. "Se há um resultado claro destas eleições, é que confirmaram a justeza da decisão do sr. Presidente da República ao ter dissolvido a Assembleia da República", comentou José Sócrates.
"Acho que era bom que todos tirassem as ilações e as lições que estas eleições vieram mostrar com evidência", continuou o líder socialista, acrescentando ainda que "já não havia entre o anterior Governo e a opinião pública nenhum tipo de concordância nem possibilidades de estabilidade política".
"O que o sr. Presidente da República decidiu foi bem decidido, tal como mostra o resultado das eleições", sustentou o secretário-geral do PS, para quem as declarações de Sarmento "eram mais próprias da campanha eleitoral e não depois da noite eleitoral, onde ficou evidente que o desejo dos portugueses era mudar de governo".
O secretário-geral do PS será novamente recebido pelo Presidente da República amanhã, às 10h, podendo ser ainda indigitado nesse mesmo dia. Ontem manifestou intenção de formar governo o mais depressa possível e manifestou a concordância do PS com a intenção de Jorge Sampaio de acelerar os prazos constitucionais para permitir que o próximo governo entre em funções o mais rapidamente possível. "Isso é benéfico para a democracia e para Portugal", salientou.
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