Santos Silva acusa Ferreira Leite de querer “colocar mordaça aos seus adversários”
07.05.2009 - 07:50 Por PÚBLICO, Lusa
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, voltou a assestar baterias contra o PSD. Ontem, acusou Manuela Ferreira Leite de querer “colocar uma mordaça naqueles que pensa serem seus adversários", declarando que a líder do PSD "parece conviver mal com os direitos políticos de todos os cidadãos”.
"O dr. Paulo Rangel, no seu discurso de candidatura [ao Parlamento Europeu], acusou o PS de querer amordaçá-lo e disse que ia recusar qualquer mordaça mas, afinal, quem parece querer colocar mordaça na boca dos outros é o PSD", afirmou Santos Silva, em declarações à agência Lusa.
Numa reacção às declarações da presidente dos sociais-democratas que ontem acusou o Governo de se confundir com o partido que o apoia, o PS, entrando na luta partidária e interferindo na campanha eleitoral, Santos Silva respondeu: "O Governo é um órgão de soberania e o Partido Socialista é um partido político, não há confusão possível”.
A este propósito, referiu que "nenhum ministro, nenhum secretário de Estado está impedido - por sê-lo - de ter e de expressar opinião política". Para o governante, "a única conclusão que se pode retirar daqui é que a dr.ª Manuela Ferreira Leite parece conviver mal com os direitos políticos de todos os cidadãos, quer ocupem ou não cargos públicos e parece querer colocar uma mordaça àqueles que pensa serem seus adversários".
Na origem da acusação da líder do PSD está a polémica entre o cabeça de lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, o presidente da Agência para o Investimento e o Comércio Externo de Portugal, Basílio Horta, e o ministro da Economia, Manuel Pinho, sobre os programas para promover a mobilidade e o emprego dos jovens na União Europeia.
"O candidato Paulo Rangel só pode agradecer o facto de, em tempo útil, o presidente da Agência para o Investimento e o Comércio Externo o ter esclarecido de que o programa que propunha a nível europeu já tem expressão em Portugal", declarou ainda o ministro dos Assuntos Parlamentares, para quem "essa informação enriquece o debate político próprio de uma campanha eleitoral" e não tem nada a ver com interferências "de um dirigente da administração directa do Estado nessa campanha".
A polémica estalou depois de o candidato do PSD ao Parlamento Europeu ter proposto, domingo, em Santa Maria da Feira, num debate organizado pela JSD, a criação de um novo programa, o Erasmus Emprego, destinado especificamente à mobilidade de jovens à procura do primeiro emprego. “Trata-se da criação de um terceiro pilar para os jovens europeus, de resposta à crise social. Já existe o programa Erasmus para a Educação e o Leonardo da Vinci para a formação profissional e este novo programa, baptizado de Vasco da Gama estaria mais voltado para absorver jovens desempregados que poderiam procurar colocação profissional num país da União Europeia”.
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