PS pressiona PSD e diz que fez “proposta de nome forte” para provedor de Justiça
19.03.2009 - 13:56
O PS voltou hoje a pressionar o PSD na escolha do novo provedor de Justiça. O líder parlamentar socialista, Alberto Martins, revelou que o seu partido apresentou na semana passada “uma proposta de nome forte” para substituir Nascimento Rodrigues.
O actual provedor, que aguarda há oito meses para ser substituído, denunciou hoje, numa entrevista à “Visão”, aquilo que disse ser o “apetite” do PS pelo cargo. Nascimento Rodrigues, no cargo desde Junho de 2000, invocou “Os Vampiros”, de Zeca Afonso: “O PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: ‘Eles comem tudo’”. Segundo afirmou, “deveria caber ao segundo partido [o PSD] a escolha” para se conseguir um “quadro mais vasto de equilíbrio democrático de poderes”.
Em resposta às declarações “surpreendentes e infelizes” de Nascimento Rodrigues, Alberto Martins, que está a negociar com o PSD este “dossier” que se arrasta há oito meses, revelou que “há uma semana” o PS apresentou aos sociais-democratas “uma proposta de nome forte” para provedor de Justiça. “Quando se souber [quem é] também se saberá que não há qualquer tentação do PS”, afirmou Alberto Martins, no final de uma reunião da bancada socialista, no Parlamento.
O líder do grupo parlamentar do PS acusou Nascimento Rodrigues de ter abandonado “o seu estatuto de isenção e independência” de provedor e de ter tentado “interferir” na escolha do seu sucessor. Lembrou que os provedores dos últimos 19 anos foram todos da área do PSD e admitiu que as declarações de Nascimento Rodrigues não ajudam a encerrar o “dossier”.
Paulo Rangel “compreende” Nascimento Rodrigues
Já o líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, considera “um obstáculo para uma solução mais rápida” a tentativa de “hegemonização de todos os cargos públicos pelo PS”, sublinhada pelo próprio Nascimento Rodrigues à Visão. “Compreendo o incómodo do provedor, é legítimo e justo”, assim como o compreendo quando fala da tentativa de hegemonização de todos os cargos pelo PS”, afirmou Rangel. Mas sublinhou também que o PSD “está a fazer todos os esforços para resolver esta questão bem resolvida o mais breve possível”.
“Nós queremos que o país fique servido com um provedor de Justiça competente e seja uma boa escolha”, frisou, acrescentando que, “mais do que os prazos, é importante encontrar uma boa solução, não pode ser uma qualquer”. Quanto à possibilidade, avançada ontem pelo primeiro-ministro, de o PS propor sozinho um candidato, Rangel lembrou que “qualquer partido o pode fazer”, mas lembrou que “a votação é secreta e exige dois terços” dos votos dos deputados.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.

