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Slogan polémico ficará um mês no Marquês de Pombal

Procuradoria considera que cartaz do Partido Nacional Renovador não é ilícito

29.03.2007 - 22:19 Por Sofia Branco

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou hoje, em nota enviada ao PÚBLICO, que não é ilícito o cartaz que o Partido Nacional Renovador (PNR) colocou em Lisboa, e que permanecerá no Marquês de Pombal durante um mês, com o slogan “Portugal aos portugueses. Basta de imigração, nacionalismo é solução.”

Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)

A PGR afirma que o cartaz não preenche, por si só, "os elementos típicos de ilícito criminal”

“O cartaz exposto em Lisboa por um partido político não preenche, por si só, os elementos típicos de ilícito criminal”, lê-se na nota. A PGR realça, porém, que “acompanha as acções e declarações dos responsáveis pelo cartaz, no sentido de apurar se o mesmo poderá vir a constituir um veículo para a criação de condições que levem à prática de actos contra imigrantes”. E garante que “serão tomadas as medidas adequadas se vier a concluir-se que se está perante um incitamento ou encorajamento à discriminação punidos por lei”.

Só depois da actuação do Ministério Público (MP), entidade competente para abrir um inquérito quando está em causa o eventual pendor fascista e racista de um partido político, é que o Tribunal Constitucional (TC) pode avaliar se a actuação do PNR, partido reconhecido legalmente, viola o artigo 46º da Constituição, que proíbe “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.

Contactado pelo PÚBLICO, Lopes do Rego, procurador da República junto do TC, realçou que a extinção de um partido político “é uma acção de gravidade” e, por isso, exige uma verificação cuidada dos fundamentos. Escusando-se a comentar o caso concreto, referiu que o MP “está atento” e agirá “no momento em que entender que tem fundamento legal”. “As situações não são assim tão lineares”, notou, lembrando que o TC, num acórdão de 1994, indeferiu a extinção do Movimento de Acção Nacional, apesar de ter considerado que este tinha “algumas características que se aproximam” de “organização de ideologia fascista”. Porém, não as considerou consistentes o suficiente para a extinção, “tendo em conta que se não provou o carácter violento da organização”.

Por seu lado, Guilherme da Fonseca, conselheiro jubilado e ex-juiz do TC, considera que existe matéria para avaliar a constitucionalidade do PNR, já que “o comportamento [do partido] preenche uma iniciativa de tipo fascista” e “o discurso do cartaz envolve crime”.

O PNR ainda não foi contactado pelas autoridades para prestar esclarecimentos, disse ao PÚBLICO o presidente do partido, José Pinto Coelho. “Eu sei que andam a conspirar, mas não têm por onde pegar. Não aceito que ministro nenhum nos intimide”, vincou, referindo-se ao ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, que ontem repudiou a campanha do PNR e manifestou dúvidas sobre a legalidade do cartaz. Também a Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial condenou a “campanha contra os imigrantes” do PNR.

Pinto Coelho sabe que o cartaz “é forte, polémico”, mas garante que “está dentro da lei”. Apesar de já ter sido “vandalizado”, o cartaz “único”, concebido “pela prata da casa”, ficará no Marquês “até 2 de Maio”.

Quanto à mensagem, “se condenasse as privatizações, não estaria a condenar as empresas privadas”, comparou. “Estamos claramente a denunciar uma política de imigração de portas abertas, suicida e irresponsável”, afirmou, realçando que ele próprio foi emigrante durante três anos. “Sei perfeitamente o que é estar longe do país, sei que há muitos imigrantes em Portugal que são honestos e que nos respeitam, mas há muitos que são marginais e esses têm que levar uma guia de marcha.”

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