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Terreno escriturado por 100 mil euros

PJ tem novos documentos que comprometem Avelino Ferreira Torres

26.08.2005 - 07:38

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Documentos que comprovam a entrega de cerca de meio milhão de euros, em letras e cheques, de um empreiteiro de Marco de Canaveses a José Faria, ex-braço-direito de Avelino Ferreira Torres, estão agora nas mãos da Polícia Judiciária do Porto e poderão criar sérios embaraços ao autarca.

Miguel Madeira/PÚBLICO

As propriedades do presidente da Câmara de Marco de Canavezes estão sob a mira da Judiciária

Os documentos foram inicialmente entregues por José Faria a um amigo, dois dias antes de este ter tentado o suicídio, mas foram depois encaminhados para as autoridades, que investigam agora a possibilidade de ter havido o pagamento de uma comissão elevada, por parte do mesmo empreiteiro, na compra de um terreno. Nesta transacção, José Faria terá servido de intermediário de Ferreira Torres, mas a contrapartida recebida pelo empreiteiro não está apurada.

O destino do dinheiro, por sua vez, também é desconhecido, embora seja certo que a maior parte não entrou nas contas de José Faria.

O PÚBLICO tentou, sem êxito, ouvir Avelino Ferreira Torres, que pela voz do assessor de imprensa disse "não achar oportuno" pronunciar-se para já sobre este assunto. Também da parte do construtor civil não houve qualquer explicação, apesar dos muitos contactos feitos pelo PÚBLICO.

Vendia com procurações irrevogáveis

O negócio em causa tem a ver com a Sorte da Vinhola, uma quinta de 20 mil metros quadrados, situada em Campo, Avessadas. Segundo documentos a que o PÚBLICO teve acesso, José Faria, em Junho de 2000, recebeu dos proprietários uma procuração irrevogável que lhe permitia decidir o futuro da propriedade. A procuração incluía outros quatro terrenos, mais tarde negociados com a empresa Horizontes do Tâmega, propriedade da família de Ferreira Torres.

A Sorte da Vinhola acabou por ser vendida, no início de 2001, a António de Sousa Vieira, um empreiteiro de Marco de Canaveses, também secretário do clube de futebol local. O valor escriturado foi de 100 mil euros e essa quantia foi depositada numa conta do Millenium bcp (então Nova Rede), num balcão da cidade, em nome de José Faria.

Além da cópia desse depósito bancário, o ex-braço-direito do presidente da câmara guardou ainda cópias de outros documentos - designadamente cheques e letras que lhe foram passados pelo empreiteiro, na mesma altura, e que totalizavam quase meio milhão de euros - que terão agora de ser devidamente esclarecidos. A situação fora já alvo de uma denúncia enviada em 2003 para a Procuradoria-Geral da República e onde era feita referência à Sorte da Vinhola. "Muitos desses terrenos são vendidos a preços muito superiores ao seu valor real - ainda que escriturados por valores inferiores aos verdadeiramente negociados -, mesmo quando é certo que, no momento da venda, possam estar já valorizados pela abertura de caminhos, a expensas da autarquia. Estarão nesses casos a Sorte da Vinhola", pode ler-se na queixa, escrita por Gil Mendes, presidente de uma junta de freguesia local.

Também o facto de o dito empreiteiro ser credor da câmara em muitas obras públicas está a ser investigado pela PJ. As autoridades querem saber se a diferença entre o escriturado e o efectivamente pago está relacionada com o dinheiro entretanto entregue pela autarquia, por dívidas antigas.

Estas situações, só José Faria poderá cabalmente explicá-las, o que deverá acontecer nas próximas semanas. O funcionário já teve alta do Hospital de S. João, onde se manteve internado nos últimos quinze dias - depois de ter disparado sobre si próprio, na cabeça -, estando agora a receber acompanhamento psiquiátrico no Hospital de Magalhães Lemos, também no Porto.

José Faria já depôs na Polícia Judiciária

José Faria disse à PJ, na última vez que foi ouvido pelas autoridades (há menos de um mês), que apenas funcionava como testa-de-ferro de Ferreira Torres. Segundo revelou, os negócios imobiliários onde esteve envolvido foram sempre feitos com dinheiro do autarca, sendo que os lucros também lhe eram entregues.

Mas as dívidas ao fisco que acumulou nos últimos anos (fruto do não pagamento de sisa e impostos sobre mais-valias) terão agora levado a que funcionário e presidente da câmara se afastassem definitivamente.

José Faria também já terá manifestado a intenção de voltar a depor na PJ mal tenha alta hospitalar, tendo estado a recolher, nos últimos dias, diversos documentos que considera relevantes e que envolvem os negócios feitos com Ferreira Torres.

O PÚBLICO sabe também que depois de José Faria ter tentado o suicídio outros empreiteiros aceitaram falar às autoridades, o que tem permitido à PJ obter, quase diariamente, testemunhos diversos.

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A corrupção é um cancro que está a minar o nosso País, há muito. E o povo português caiu num ...

Anónimo

26.08.2005 20:34

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