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Estado da Nação

Paulo Rangel assegura que PSD não é contra as obras públicas em geral nem em concreto

10.07.2008 - 18:06 Por Lusa

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O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, declarou hoje que o seu partido "não está contra obras públicas em geral nem nenhuma em concreto", apenas exige conhecer os encargos financeiros anuais para o Estado.

Nuno Ferreira Santos (arquivo)

O deputado teve hoje o seu primeiro grande debate como líder parlamentar do partido

"Quanto à questão dos investimentos públicos, falando de português para português, de cidadão para cidadão, vamos dizer aqui claramente sem mediação nenhuma: O PSD não está contra obras públicas em geral nem contra nenhuma em concreto", declarou Paulo Rangel, dirigindo-se ao primeiro-ministro, José Sócrates, no debate parlamentar sobre o estado da Nação.

"Agora, senhor primeiro-ministro, o PSD exige saber, nas circunstâncias actuais, com a actual evolução da economia internacional, qual o encargo financeiro que o Estado tem com cada investimento e com cada obra", acrescentou. Paulo Rangel sublinhou que "é muito simples, é trazer uma folha A4 ao Parlamento que diga: investimento A, encargo financeiro X, investimento B, encargo financeiro Y, ano a ano e por décadas".

"Tragam essa informação ao Parlamento, não nos mande para a Internet, não estamos ainda na democracia plebiscitária de Internet, estamos numa democracia formal, onde o Parlamento tem desde há 800 anos a competência orçamental", observou o líder parlamentar do PSD. "Se feitas as contas que nos apresentar e devidamente justificadas forem compatíveis com uma estratégia de desenvolvimento terá o nosso integral apoio, não tenha dúvidas sobre isso", adiantou.

“Parar o país”

Apesar de Paulo Rangel ter declarado que o seu partido não está contra as obras públicas em geral nem nenhuma em concreto, o primeiro-ministro insistiu, na resposta, que o PSD "quer parar o país". "Querem os preços das obras?", perguntou José Sócrates, afirmando em seguida que as barragens "são investimento privado", que "a terceira via da auto-estrada para o Porto é uma obrigação do concessionário" e que os estudos sobre o aeroporto e a rede ferroviária de alta-velocidade (TGV) são públicos.

Sem se referir às estradas, primeiro-ministro disse a Paulo Rangel, a propósito do TGV: "O senhor deputado não quer ir à Internet, muito bem, olhe, eu trouxe os estudos". Exibindo os documentos, Sócrates pediu a sua distribuição para que o líder parlamentar do PSD "não tenha o trabalho de ir à Net e com isso caírem-lhe os parentes parlamentares à lama, porque a pompa e a circunstância parlamentar não permite ir à Internet".

O primeiro-ministro assinalou que alguns dos estudos sobre o TGV disponíveis na página da RAVE são de 2003/2004, quando o PSD estava no Governo, e questionou "como é que alguém que encomendou esse estudo, que pagou esse estudo, que baseou decisões nesse estudo vem agora dizer que quer conhecer esse estudo".

A grelha do debate não permitiu ao PSD usar da palavra a seguir à resposta do primeiro-ministro.

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