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Eleições no PSD

Mira Amaral e Passos Coelho criticam política financeira de Ferreira Leite

01.05.2008 - 09:51 Por Lusa, PÚBLICO

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O ex-ministro social-democrata Mira Amaral e o candidato a presidente do PSD Pedro Passos Coelho criticaram ontem a política financeira de Manuela Ferreira Leite, considerando que não reduziu a despesa e não reformou a Administração Pública.

Gonçalo Português (arquivo)

Passos Coelho deu o exemplo da chegada de Cavaco ao poder para defender que não é preciso andar rodeado de amigos

Durante um debate sobre economia na sede de candidatura de Passos Coelho, em Lisboa, Mira Amaral disse que “os governos PSD/PP nada mudaram em relação aos anteriores governos de Guterres” e mostraram “total incapacidade de fazer a reforma da Administração Pública, que nem sequer foi enunciada”. “Estes senhores [o actual Governo do PS] pelo menos enunciaram-na”, acrescentou.

Manuela Ferreira Leite, adversária de Pedro Passos Coelho nas eleições directas para a liderança do PSD, foi ministra das Finanças entre 2002 e 2004, no executivo PSD/CDS-PP chefiado por Durão Barroso.

Mira Amaral criticou a operação de venda de créditos do Estado feita por Manuela Ferreira Leite para ter um défice inferior a três por cento em 2003, defendendo que “isso devia ter sido um empréstimo e não uma receita” inscrita no orçamento porque onerou os orçamentos futuros.

“Contabilidade criativa”

De acordo com o ex-ministro do Trabalho e da Indústria de Cavaco Silva, o que se fez foi “contabilidade criativa” e “martelar os défices”. Mira Amaral disse ainda que a situação do País “não se transforma com a visão contabilística”.

“Se pegarmos num responsável empresarial só porque é sério ou porque tem ar de mau e o transformarmos” em presidente executivo ou presidente do conselho de administração, “o que é acontece? Daqui a um ano está falida”, ilustrou.

“Eu explico nas minhas aulas a diferença entre contabilidade e estratégia. O problema da Administração Pública não se resolve com regras contabilísticas e é um erro que tem havido aqui nesta matéria das finanças”, concluiu o economista, que se referiu a Pedro Passos Coelho como “um sopro de juventude e de frescura”.

Passos Coelho critica obsessão do défice

Por sua vez, Passos Coelho criticou “a obsessão do défice que existe desde 2002”, considerando que está “a destruir a economia, as empresas e o emprego” e que se anda “há sensivelmente sete anos a tentar resolver o problema com medidas temporárias, provisórias”.

“Temos de parar um pouco neste caminho, que não pode ser imputado estritamente ao PS, nós também já cometemos esse erro”, sustentou.

Segundo Passos Coelho, é preciso “baixar a receita em função da reforma do Estado”, o que “realmente não foi feito” até ao momento.

Para mudar Portugal basta “escolher os melhores”

Pedro Passos Coelho deu também o exemplo da chegada de Cavaco Silva ao Poder para defender que, para mudar Portugal, não é preciso andar rodeado de amigos, “basta escolher os melhores”.

No final do debate, Passos Coelho disse que quando Cavaco Silva foi eleito presidente do PSD contra João Salgueiro, em 1985, “não estava preparado, porque não tinha um programa para o País nem para o Governo”.

“A primeira coisa que fez foi adoptar o trabalho e o estudo feito no Instituto Progresso Social e Democracia (IPSD) e boa parte do seu programa de Governo e boa parte dos elementos que constituíram esse Governo vieram justamente” daquele Instituto (conhecido como Instituto Francisco Sá Carneiro), salientou.

“Donde, nós não precisamos de andar aqui muitos anos com muitos amigos à nossa volta a pensar no dia em que tomamos conta do poder para levar os amigos todos para o Governo e para dizer que temos uma grande estratégia para mudar Portugal”, concluiu.

“Só temos de escolher os melhores e criar as condições para que os melhores, aqueles que se preocupam e que têm ideias, saibam que pelo seu mérito poderão estar naturalmente na primeira linha de serem os escolhidos para estar no Governo e para ajudar a traçar o futuro do País. É disto que precisamos dentro do PSD”, completou.

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