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Europeias

José Sócrates não resistiu à escolha dos eleitores

08.06.2009 - 10:51 Por São José Almeida

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O primeiro-ministro, José Sócrates, não resistiu ao voto de protesto e sofreu ontem nas urnas a sua primeira derrota eleitoral. Mas aquela que foi uma expressiva derrota do PS - mais de meio milhão de votos a menos do que há cinco anos -, representou o regresso do PSD às vitórias, num acto eleitoral onde Manuela Ferreira Leite averbou a sua primeira vitória.

Nuno Ferreira Santos

Sócrates e Vital partilharam o desaire eleitoral

A reviravolta na liderança dos resultados nas urnas entre PS, que ficou em segundo com 945.303 votos 26,58 por cento e 7 deputados e o PSD que ganhou com 1.127.026 votos, 31,68 por cento e 8 deputados não foi a única que se registou ontem.

O Bloco de Esquerda conquistou o lugar de terceira força política, com 381.787 votos, 10,73 por cento e 3 deputados e ultrapassando a CDU que teve 379.286 votos, 10,66 por cento e 2 deputados, no que é um resultado histórico. Registe-se que a subida do BE faz com que, pela primeira vez também, exista uma percentagem de votos superior a 20 por cento à esquerda do PS.

O CDS manteve a posição de quinta força, resistindo à extinção permanentemente anunciada nos estudos de opinião, 297.793 votos, com 8,37 por cento e 2 deputados.

A derrota do partido no Governo terá sido potenciada pelo voto de protesto e pelos números da abstenção, numa eleição que contava com um universo eleitoral de 9.562.141 eleitores, sendo que 650 mil novos eleitores surgem em parte pelo recenseamento ter passado a ser obrigatório. Ontem, recusaram-se a ir exercer o seu direito de voto nas urnas 62,95 por cento dos eleitores. Há cinco anos a abstenção foi de 61,40 por cento. Já os votos brancos e nulos atingiram uma expressão inédita, 4.63 por cento e 2 por cento respectivamente.

Esta distribuição dos 22 eurodeputados, numa eleição que Portugal perde dois lugares no Parlamento Europeu surge com o PS a ser o partido que mais eurodeputados perde, já que em 13 de Junho de 2004 elegeu 12 representantes com 1.516.001 votos e 44,53 por cento. O PSD acaba por ficar com uma representação próxima da anterior em número, já que há cinco anos concorreu coligado com o CDS elegeu 9 deputados e tendo atingido em conjunto os 1.132.769 votos, com 33,27 por cento.

BE à frente da CDU

Já a CDU mantém os dois deputados de há cinco anos, mas sobe a percentagem face aos 9,09 por cento, que lhe foram em 2004 garantidos por um total de 309.401 votos. Mas foi, pela primeira vez, ultrapassada pelo Bloco de Esquerda, que agora mais que duplica a sua votação que foi em 2004 de 4,91 por cento, com 167.313 votos e um 1 deputado.

O líder do PS, José Sócrates, é assim o principal derrotado destas eleições uma vez que se envolveu presencialmente na campanha, com uma participação quase diária em comícios e escolheu pessoalmente um cabeça-de-lista com um perfil diverso do que é tradicional no PS. Falhou assim a aposta em Vital Moreira, um independente e ex-militante do PCP acabou por não estancar a fuga de votos para a esquerda.

Mas se Sócrates perdeu, a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, ganhou não só no resultado das urnas, mas também em termos políticos, já que eleita há um ano, Manuela Ferreira Leite pegou num partido dividido e onde as criticas à sua estratégia têm sido várias.

Além de este resultado ser uma consagração dessa estratégia, vêm também premiar a sua escolha - pessoal como foi então acentuado -para a encabeçar a lista de Paulo Rangel, o deputado revelação do último mandato da Assembleia da República que se revelou ainda mais na campanha.

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