Existem diferenças entre PS e PSD, diz Jerónimo de Sousa
30.08.2009 - 19:05 Por Lusa
O secretário-geral do PCP reconheceu esta tarde que existem diferenças entre PS e PSD, e elogiou Sócrates por criticar a política de privatização da Segurança Social do PSD, mesmo, disse, não tendo "grande moral" para o fazer.
"Estes dois partidos têm diferenças, estamos de acordo. O PSD se pudesse tomar outra vez conta do poder acelerava as privatizações, acelerava a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, mas o PS (Partido Socialista) não tem grande moral", disse esta tarde o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, numa intervenção num almoço-comício em Alenquer.
Dando como exemplo a intenção de privatizar a Segurança Social assumida no programa do PSD para as próximas eleições legislativas, Jerónimo de Sousa elogiou as críticas do primeiro-ministro, José Sócrates, a essa medida, mas sublinhou que não tem "grande moral para o fazer, recordando que essa é uma ideia prevista na lei de bases da Segurança Social aprovada pelo executivo de António Guterres.
"Acho que Sócrates faz bem em ralhar com Ferreira Leite porque quer a privatização da Segurança Social, mas o melhor é encostar o 'dito cujo' à parede porque ainda pode ouvir 'afinal, vocês também querem o mesmo'", afirmou Jerónimo de Sousa.
As críticas ao PS e PSD estiveram no centro da intervenção desta tarde de Jerónimo de Sousa que, mesmo reconhecendo diferenças entre os dois, acusou os maiores partidos portugueses de "apresentarem programas com uma embalagem bonita para esconder uma realidade incontornável", a de não serem "capazes de apresentar uma política diferente, que responda aos problemas nacionais", e deu exemplos.
"Ainda esta semana ouvi o senhor Presidente da República dizer que é preciso é aumentar a competitividade das nossas empresas. Que coisa bonita! Nós todos assinamos por baixo, mas eu pergunto como é que uma pequena empresa pode ter capacidade de competir com os vizinhos espanhóis se eles pagam menos combustíveis, menos energia e menos impostos", disse.
Acusando PS e PSD de "hipocrisia" e de "andarem a enrolar os portugueses há mais de 30 anos" o líder comunista sublinhou que o voto na CDU é a oportunidade de mudar o que a oposição quer manter.
"Então vem Sócrates dizer que vai manter o rumo da política e vem a doutora Ferreira Leite dizer que o seu programa não é muito arriscado nem audacioso? Se eles vão manter a mesma política o país inevitavelmente irá caminhando para o definhamento, para a dificuldade", defendeu Jerónimo de Sousa.
Num balanço dos últimos quatro anos, Jerónimo de Sousa acusou o primeiro-ministro e o seu Governo de deixar como herança um país "com mais desemprego, mais desigual, mais injusto, mais endividado, mais dependente do estrangeiro" e disse que as contas saíram furadas a José Sócrates.
"Quando Sócrates pensava que ia chegar a este ponto com uma maioria confortável e garantida, enganou-se, fez mal as contas. E fez mal as contas, porque não contou com a luta do PCP e com a luta do povo português, que lhe aplicou a primeira derrota nas eleições europeias. O PS não tem que se queixar de ninguém [...], tem que se queixar da política que realizou e concretizou", concluiu.
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