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Os casos de Ana Gomes e de Elsia Ferreira terão fragilizado a candidatura europeia do PS

Derrota nas europeias influiu na proibição de candidaturas duplas

06.07.2009 - 07:38 Por Maria José Oliveira

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A derrota do PS nas eleições europeias terá precipitado a decisão de impedir candidaturas duplas às legislativas e às autárquicas. No período de reflexão pós-eleitoral, os socialistas admitiram que um dos factores de fragilidade da candidatura europeia do PS terá sido precisamente a existência de candidatos que constavam da lista ao Parlamento Europeu (PE) e, em simultâneo, estavam já na corrida para as autárquicas. Foram os casos de Elisa Ferreira e de Ana Gomes, candidatas às câmaras do Porto e de Sintra, respectivamente.

Num comentário à orientação dada pelo secretário-geral José Sócrates, durante uma reunião na noite de sexta-feira com os presidentes das federações do PS, Ana Gomes considerou-a "razoável" e repetiu que se for eleita para a Câmara de Sintra é lá que fica. Caso contrário, é no PE que fica "em exclusividade", disse à TSF. Elisa Ferreira preferiu não comentar a resolução, mas frisou que manterá "até ao fim" a sua candidatura à Câmara do Porto.

A excepção feita para as europeias já provocou, segundo a agência Lusa, a indignação do PSD, cujo vice-presidente, Aguiar Branco, desafiou ontem o PS a ir mais longe do que "um mero anúncio" e a provar que a decisão terá "consequências práticas". O PSD quer que a resolução dos socialistas tenha efeitos retroactivos: Ana Gomes e Elisa Ferreira deverão ser obrigadas a escolher o PE ou as candidaturas autárquicas.

A ideia de proibir duplas candidaturas no PS não é uma novidade no partido. Vários secretários-gerais foram confrontados com esta proposta, mas o peso do chamado "aparelho" conseguiu sempre evitar a sua concretização. Na reunião da Comissão Nacional do PS em que foram aprovadas as listas para as europeias, em Abril, o assunto voltou a ser colocado em cima da mesa. Fonseca Ferreira, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, foi quem suscitou o debate, propondo que o princípio fosse também imposto para as europeias. Nessa reunião, Fonseca Ferreira, que ontem anunciou que irá abandonar as suas funções para se dedicar inteiramente à candidatura à Câmara de Palmela, não recolheu a concordância dos dirigentes nacionais. Mas sentiu uma "abertura" por parte da direcção para aplicar a ideia às legislativas e autárquicas. Ideia que acabou mesmo por ser resgatada quando o líder do PS foi confrontado com os resultados das europeias. "É uma orientação politicamente muito importante para o PS e para o país", disse Fonseca Ferreira ao PÚBLICO, lamentando, porém, a reacção negativa de alguns socialistas. "Deveriam remeter-se ao silêncio."

A tomada de posição de Sócrates, anunciada após uma reunião que não foi divulgada à comunicação social, originou divergências entre os deputados que são candidatos autárquicos. Do lado da contestação surgiram as vozes de Leonor Coutinho (ver texto ao lado) e Sónia Sanfona, que acusaram a direcção do PS de "mudar as regras a meio do jogo". Por outro lado, Carlos Martins, Jovita Ladeira e Pedro Baptista aplaudiram a orientação. Ao PÚBLICO, Paulo Pedroso, que logo após as europeias afirmou que seria apenas candidato à Câmara de Almada, elogiou a "decisão firme" de Sócrates e notou que ela surge "no momento adequado", quando estão a ser delineados os critérios para a elaboração das listas para as legislativas. Pedroso refutou ainda as declarações de Coutinho, que acusou o PS de andar a "reboque do PSD", apontando que a decisão dos sociais-democratas (a direcção de Ferreira Leite anunciou, em Janeiro, que iria rejeitar liminarmente a existência de candidaturas simultâneas às legislativas e às autárquicas) "não foi relevante e não influiu" na orientação política do PS.

Até agora, 15 deputados do PS anunciaram já candidaturas a órgãos autárquicos.

Eleita eurodeputada, Elisa Ferreira assegura

que estará na corrida à Câmara do Porto "até

ao fim"







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08.07.2009 11:11

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