Apoiante de Marques Mendes defende que todas as distritais do PSD deviam demitir-se
25.02.2005 - 10:15 Por Alexandre Praça, PÚBLICO
Apoiante declarado de Marques Mendes na luta pela liderança do PSD, o líder da concelhia de Esposende (e também presidente da câmara), João Cepa, defende que todas as distritais "laranja" do país se deveriam demitir, de forma a permitir um "rejuvenescimento" do partido.
Nesse sentido, o autarca preconiza que a distrital de Braga - à qual imputa muitos "erros" durante o processo eleitoral - venha a ser liderada por um dos elementos do núcleo duro do mendismo: Miguel Macedo, secretário de Estado cessante da Justiça, que foi eleito deputado pelo distrito.
"A distrital de Braga tem uma explicação a dar sobre o que se passou", exige João Cepa, em declarações ao PÚBLICO, pugnando assim pela realização de eleições internas. Confrontado com esta reivindicação, o líder da distrital recusa tal hipótese, alegando que os actuais órgãos partidários têm um "mandato de dois anos e a legitimidade dos votos". "Não me lembro de ter visto disponibilidade do dr. João Cepa para o partido nos últimos tempos", contra-ataca Virgílio Costa. Para o autarca de Esposende, o "nome ideal e mais indicado" para dirigir a distrital é o do mendista Miguel Macedo. Em alternativa, admite também, como segunda escolha, Jorge Moreira da Silva, também ele secretário de Estado cessante.
Por seu lado, Virgílio Costa considera "abusivo" que a distrital de Braga seja contabilizada no rol das apoiantes da candidatura de Luís Filipe Menezes. Mostrando-se, por enquanto, equidistante dos dois candidatos já assumidos, Virgílio Costa considera "não estar autorizado para falar em nome dos militantes" e garante que, na reunião da distrital de anteontem à noite, não foi discutido o apoio a qualquer dos candidatos. Para além dos elogios genéricos de Mendes e de Menezes - "ambos estão genética ou afectivamente ligados a Braga", como refere -, o líder da distrital apenas confessa ter "gostado" de ver o autarca de Gaia insistir no nome de Marcelo Rebelo de Sousa para as presidenciais: "Seria um belíssimo candidato. Deu a cara pelo partido e não o abandonou."
PSD de Coimbra pede eleições directas
A comissão política distrital de Coimbra do PSD decidiu propor à direcção do partido a eleição directa dos órgãos nacionais, mas admite que tal não se verifique já em relação à próxima liderança. "Isso seria o ideal, mas, se não for possível, pelo menos que no congresso sejam criadas condições para que a partir daí os militantes possam eleger directamente a direcção", defende o líder daquela estrutura, Jaime Soares.
"O regresso às bases", "obrigando os "barões" e os "notáveis" a descerem ao terreno para apresentar e defender os respectivos projectos" é a principal vantagem das directas apontada por Jaime Soares.
Esta posição foi ontem foi tornada pública através de um comunicado no qual a distrital anuncia, também, que enquanto órgão não toma partido por qualquer das candidaturas apresentadas. No mesmo texto manifesta "solidariedade" a Santana Lopes "pela forma abnegada e combativa" como desempenhou os cargos de presidente do partido e de primeiro-ministro. Miguel Macedo dirige campanha de Mendes Miguel Macedo, secretário de Estado da Justiça cessante, será o director de campanha de Marques Mendes na sua candidatura à presidência do PSD, anunciada na sequência da derrota eleitoral do PSD nas eleições legislativas de domingo passado.
Marques Mendes recebeu já o apoio expresso de Carlos Encarnação, presidente da Câmara de Coimbra, que foi secretário de Estado da Administração Interna, nos governos de Cavaco Silva, e que depois, foi vice-presidente da bancada parlamentar durante os governos de António Guterres, quando Marques Mendes liderou o grupo parlamentar do PSD.
Telmo Mendes, presidente da Câmara de Óbidos, manifestou também o seu apoio a Marques Mendes.
Mira Amaral elogia Mendes
O ex-ministro de Cavaco Silva Mira Amaral,« elogia a candidatura de Marques Mendes à liderança do PSD, considerando ter "simpatia e consideração" pelo ex-ministro dos Assuntos Parlamentares. "Faz bem em avançar e em fazer uma regeneração do período do barrosismo e do santanismo", afirmou ao PÚBLICO. Quanto a Manuela Ferreira Leite, considera que "só sabe de contabilidade pública" e que "não tem sensibilidade social". "O PSD vai para a oposição. Terá que fazer política no Parlamento, não é uma questão de governar o país", acrescentou. Mira Amaral diz não ter ficado surpreendido com a derrota do PSD, pois foi um declínio que, a seu ver, "começou com as políticas de Durão Barroso".
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