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Histórico socialista não deverá abandonar o PS

Alegre anuncia hoje se entra nas listas de Sócrates para as legislativas

14.05.2009 - 19:35 Por São José Almeida

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Manuel Alegre não deverá abandonar o PS, mas ninguém avança com uma previsão sobre o que o histórico socialista vai fazer. Nenhum dos seus apoiantes afirma se Alegre irá integrar as listas eleitorais do partido como candidato às legislativas. Ou se pretende ficar fora do Parlamento.

Daniel Rocha

A hipótese de formar agora um partido já terá sido afastada por Manuel Alegre

O próprio Alegre, que há uma semana já tinha afastado a possibilidade de sair do PS, não quis esclarecer o que fará, antes de falar com os apoiantes, que convocou para hoje, às 16h, no Hotel Altis-Olaias, em Lisboa. Em declarações ao PÚBLICO, apenas disse: “É uma decisão pessoal, não disse a nenhum dos meus colaboradores mais próximos o que vou fazer e convoquei todos para que saibam ao mesmo tempo.”

Helena Roseta, que integra o Movimento de Intervenção Cívica, afirmou ao PÚBLICO que nada sabe. “Confio na decisão dele. É uma decisão individual. Pode partilhar connosco, mas o sujeito da acção é Manuel Alegre”, declarou Roseta, afirmando ainda: “Mas estou tranquila e confio inteiramente no que vai decidir. Uma decisão destas é muito ponderada. E ele já deu provas, ao longo da vida, de que é capaz de tomar decisões certas.”

Também Nuno David, militante do PS e responsável pela revista online OPS, da Corrente de Opinião Socialista, garantiu que não sabe o que se vai passar, frisando que “é uma decisão muito individual”. Mas foi peremptório ao afirmar: “Não creio que vá existir um novo partido.”

O afastamento da hipótese de um novo partido feito por Nuno David surgiu como resposta directa à defesa de que fosse criada uma nova formação de tipo partidário feita por Alexandre Azevedo Pinto, Eduardo Milheiro, João Botelho e Jorge Silva, através da divulgação de um documento interno (PÚBLICO de 13/05/2009).

Já da parte da direcção do PS, o líder parlamentar, Alberto Martins, que tem servido de ligação entre Alegre e José Sócrates, declarou à Lusa: “Gostaria que ele se mantivesse no partido e estou certo de que isso terá todas as condições para acontecer. E gostaria que ele fosse candidato pelo PS”.

À espera do day after

A decisão de Alegre não romper com o PS prende-se, de acordo com informações obtidas, com a forma como este político analisa a conjuntura portuguesa. E com a eventualidade de, no day after eleitoral, o PS estar numa situação que leve ao desgaste rápido da liderança de Sócrates e à abertura de espaço para que o poder interno e a orientação ideológica sejam alterados.

Se isso acontecer, a ideia entre a maioria dos apoiantes é a de que Alegre é mais útil dentro do que fora do PS. Não tanto para ser ele um candidato alternativo à liderança, mas sim para permanecer como uma referência que iria ajudar e tutelar uma reorientação do partido à esquerda.

Esta posição é também determinada pela conclusão, avançada por apoiantes de Alegre, de que, neste momento, uma ruptura com o PS não serviria para nada, se não fosse formado um partido para concorrer às eleições. E a hipótese de formar agora um partido já terá sido afastada por Alegre.

Mas se é mais ou menos consensual, entre os seus apoiantes, que Alegre não abandonará o PS, a incógnita que permanece é a de saber o que vai Alegre fazer em relação à sua participação nas listas eleitorais. E se as conversas que manteve com Sócrates surtiram na inclusão do seu nome entre os candidatos do partido e futuros deputados.

Registe-se que Manuel Alegre sempre disse que não negociava lugares, mas a orientação política das medidas do Governo. E apresentou mesmo algumas condições programáticas para permanecer ao lado da direcção do partido. Condições que Alegre verbalizou numa entrevista dada a 7 de Março ao Expresso, e que passavam pela “revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras”.

Notícia actualizada às 07h43

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