Alegre aconselha Ana Gomes a reler a Constituição e insiste na crítica à sua dupla candidatura
08.07.2009 - 20:14 Por Lusa
Manuel Alegre aconselhou hoje a deputada europeia socialista Ana Gomes a reler a Constituição sobre a natureza das candidaturas presidenciais e a meditar se deve ou não permanecer na dupla condição de eurodeputada e candidata autárquica.
Em declarações a vários órgãos de comunicação social, hoje publicadas, Ana Gomes reagiu ao repto de Manuel Alegre no sentido de que acabe com a sua dupla condição de eurodeputada e candidata a presidente da Câmara de Sintra, depois de a direcção do PS ter proibido as duplas candidaturas.
"Não considero que Manuel Alegre tenha autoridade moral para fazer esse repto. Afinal ele foi candidato à Presidência da República, contra o candidato oficial apoiado pelo PS [Mário Soares] e fê-lo sem renunciar nem ao mandato de deputado eleito pelo PS nem ao cargo de vice-presidente da Assembleia da República", declarou Ana Gomes.
Na resposta, em declarações à agência Lusa, Manuel Alegre considerou que a sua "camarada Ana Gomas fez comparações inaceitáveis, porque a candidatura presidencial é um acto pessoal, que pode ou não ser apoiada por um partido".
"Ela deveria reler a Constituição, porque não são situações comparáveis", disse, antes de insistir que, "por uma questão de coerência", Ana Gomes deveria optar entre ser eurodeputada ou candidata autárquica.
"Não pretendo dar lições de moral a ninguém, porque levantei apenas uma questão política, que é também uma questão de igualdade. As regras que agora foram estabelecidas [pela direcção do PS] para os deputados que vão ser candidatos às eleições autárquicas deveriam ser meditadas pelas eurodeputadas [Elisa Ferreira e Ana Gomes] que se encontram nas mesmas condições. Foi só isso que disse", referiu Alegre.
Para o ex-candidato presidencial, "a haver uma questão moral [no problema das duplas candidaturas] é um problema das eurodeputadas com elas próprias".
"Elas farão aquilo que entenderem. Se Ana Gomes entende que esta medida [da direcção do PS] é razoável para os deputados que vão ser candidatos autárquicos, também deveria ser razoável para ela por uma questão de coerência", acrescentou o vice-presidente da Assembleia da República.
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