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José Sócrates diz que insultos foram acção de “ódio” contra o PS

Agressão a Vital poderá beneficiar estratégia do PS para as legislativas

02.05.2009 - 22:30 Por Maria José Oliveira

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Vital Moreira acabara de se desembaraçar da multidão que o acossava, atirando-lhe água e lançando insultos, quando, em resposta a uma pergunta de um jornalista, o cabeça de lista do PS às eleições europeias afirmou: “Já assisti a coisas destas há muitos anos atrás na Marinha Grande.”

Reuters

Vital Moreira foi insultado e agredido na maniefestação do 1º de Maio

Estava verbalizada a assunção de que o que se passara minutos antes junto à manifestação da CGTP era o seu “momento Marinha Grande” – referência à agressão de que Mário Soares foi vítima, naquela localidade, durante a segunda volta da campanha eleitoral para as presidenciais de 1986.
Na altura, Soares retirou beneficios do acontecimento, congregando um capital de simpatia e solidariedade que se traduziu num aumento de votos. O “momento Marinha Grande” de Vital, porém, poderá não produzir quaisquer dividendos para o candidato do PS ao Parlamento Europeu. Pedro Lomba, jurista e investigador, considera “abusiva” esta comparação, argumentando que são notórias as diferenças no país e nos protagonistas. A mesma opinião tem o politólogo Manuel Meirinho, que salienta ainda o facto de o eleitorado manifestar um escasso interesse nas europeias. André Freire, politólogo, descarta também a ligação ao episódio da violência contra Soares e desdramatiza o que aconteceu com Vital Moreira.

Apesar de lamentar este tipo de actos, Freire entende que a escolha de Vital para chefiar a delegação do PS no 1.º de Maio “cheira a oportunismo” e tem contornos de “sessão de campanha”.

“O Governo convive mal com os sindicatos, critica a CGTP, e Vital Moreira tem secundado o Governo nestas críticas. É estranho que o PS tenha enviado um candidato altamente colado ao Governo para uma manifestação da CGTP, como se fosse um agent provocateur”, diz, lembrando ainda que, até Novembro de 2007, o Executivo socialista instaurou processos crime contra mais de duas dezenas de dirigentes da Intersindical.

“Táctica para as legislativas”
A associação aos acontecimentos de 1986, feita por Vital Moreira num momento de tensão, pode não passar de um desabafo. Em declarações ao PÚBLICO, ainda na ressaca do incidente, explicou que aquilo que sofreu foi um “acto de animosidade contra um antigo militante do PCP”, vindo de “criaturas” que pertencem a forças “sectárias e intolerantes”. Vital não fez acusações directas ao PCP. Deixou isso para o porta-voz do PS, Vitalino Canas (ver texto ao lado), e para o secretário-geral do partido, José Sócrates, que, ontem, citado pela Lusa, disse que “foram os militantes do PCP que insultaram os dirigentes do PS”.

Exigindo um pedido de desculpas aos comunistas, o primeiro-ministro converteu a agressão a Vital numa acção de “ódio ao PS”: “O que aconteceu foi um incidente absolutamente lamentável de sectarismo baseado num ódio ao PS.” Para Meirinho esta “estratégia” de alargar as repercussões do caso não é estranha às tácticas dos partidos do poder: “Há sempre uma tentativa de aproveitarem estes factos para reforçarem as suas estratégias.” Neste âmbito, as agressões a Vital tem diferentes tipos de efeitos, conforme os actos eleitorais: “Nas eleições europeias os efeitos são muito fracos ou nulos”, nota, “mas nas legislativas podem ser significativos.”

Meirinho acredita que Vital “não fará um aproveitamento” do incidente. Mas não pensa o mesmo relativamente ao PS. “É evidente que tentará tirar dividendos. Estes factos serão sempre enquadrados na táctica política para as legislativas”, diz. No contexto das consequências a médio prazo, Pedro Lomba teme por uma “instabilidade crónica” resultante do reforço dos votos nos partidos da esquerda. Sustentando que a agressão foi uma demonstração dos “ódios” entre as esquerdas, Lomba prevê um cenário futuro de inconstância.

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