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Presidente insiste na independência das regiões separatistas da Geórgia

Rússia recusa mundo dominado pelos Estados Unidos, garante Medvedev

31.08.2008 - 19:25 Por PÚBLICO, com agências

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O Presidente russo, Dmitri Medvedev, garantiu hoje que a sua decisão de reconhecer a independência das duas regiões separatistas georgianas é “irrevogável” apesar das críticas ocidentais que têm sido feitas. O representante do Kremlin ameaçou ainda prosseguir com sanções contra outros países e disse rejeitar um mundo dominado pelos Estados Unidos.

David Mdzinarishvili/Reuters

Até ao momento, nenhum outro país reconheceu a independência das duas repúblicas

“Nós tomámos a nossa decisão” de reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul e “essa decisão é irrevogável”, sublinhou o chefe de Estado russo, em entrevista aos três canais de televisão do seu país. “De um ponto de vista jurídico, os novos Estados apareceram, o processo de reconhecimento pode demorar muito tempo, mas a nossa posição não mudará em função disso”, acrescentou.

Até ao momento, nenhum outro país, mesmo os aliados de Moscovo, reconheceu a independência das duas repúblicas, ainda que tenham expressado apoio às acções da Rússia na Geórgia.

Nos acordo “internacionais” que a Rússia pretende assinar com a Ossétia do Sul e com a Abkházia “serão fixados todos os nossos compromissos de ajuda económica, social, humanitária e militar”, assegurou Medvedev, acrescentando que o objectivo de Moscovo é “assegurar a paz e uma vida calma” aos habitantes das zonas separatistas.

Na entrevista que deu na véspera da reunião extraordinária na União Europeia para discutir o conflito caucasiano em Bruxelas o responsável russo deu a entender que não se deixa intimidar por ameaças de sanções e que está mesmo pronto para exercer represálias.

Moscovo não descarta sancionar países

O recurso a sanções exige a adopção de leis especiais, relembrou Medvedev, que disse ainda que, se for necessário, adoptará tais medidas. Para o representante de Moscovo é impensável aceitar “um sistema mundial onde todas as decisões são tomadas por um só país, mesmo da importância dos Estados Unidos”. “Tal mundo é instável e um portador de ameaças e conflitos”, prosseguiu. “O mundo deve ser multipolar, um mundo unipolar é inaceitável”, concluiu.

Ontem, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin acusou os Estados Unidos de terem provocado o conflito caucasiano com o objectivo de ajudarem os republicanos a vencerem a eleição presidencial de Novembro.

Na passada terça-feira, Moscovo reconheceu a independência das regiões separatistas Ossétia do Sul e Abkházia, na origem do conflito, apesar das consequentes críticas ocidentais.

Uma autoridade georgiana denunciou ontem que as tropas russas que se encontram ainda na Geórgia estão a tentar impedir que milhares de refugiados voltem às suas casas. Segundo a mesma fonte, os russos continuam a controlar determinados pontos do país e a patrulhar o porto do Mar Negro, mesmo depois de Moscovo ter anunciado a retirada da maior parte do seu contingente.

Entretanto, a Rússia e a Alemanha chegaram também ontem a um acordo com o objectivo de reduzir o clima de tensão que se tem feito sentir na Europa na sequência do conflito entre Moscovo e Tbilissi, de acordo com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.

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