Robert Gates deverá manter-se na Administração Obama
26.11.2008 - 13:21 Por PÚBLICO
O Presidente eleito Barack Obama deverá manter na sua equipa o actual secretário da Defesa de George W. Bush, Robert Gates, na sua futura Administração. De acordo com o “The New York Times”, que cita fontes democráticas, o acordo entre a equipa de Obama e Gates está a ser finalizado e deverá ser anunciado formalmente na próxima semana, bem como os restantes nomes que irão fazer parte da equipa do Pentágono.
Esta continuação de Gates na presidência americana, que poderá ser efectiva durante, pelo menos um ano, ajudará a garantir alguma estabilidade no cenário de guerra iraquiano, esgrimem os defensores da manutenção de Gates.
Caso venha a concretizar-se, esta será a primeira vez que um secretário da Defesa se mantém no posto após uma mudança partidária na Administração dos EUA. Gates passará igualmente a trabalhar para um Presidente que prometeu acabar com a guerra no Iraque, depois de ter servido dois anos sob a governação do Presidente que a começou.
Esta provável manutenção de Gates também já foi noticada pelo site norte-americano "Politico", que acrescenta ainda que o general da Marinha James Jones poderá vir a tornar-se o próximo conselheiro para a segurança nacional, citando fontes democratas e republicanas.
Esta decisão de manter Gates é, porém, tudo menos consensual. Muitos democratas pensam que a manutenção do chefe do Pentágono irá acabar por minorar o impacto da mensagem do novo Presidente e arrisca-se a alienar o apoio de todos aqueles que votaram em Obama por causa da sua forte oposição à guerra no Iraque e à promessa eleitoral de lhe pôr fim.
Para além do mais, há muitos democratas em posições seniores que querem ocupar cargos no Pentágono e que não estão dispostos a ceder a pasta sem luta ao republicano Gates.
Os conselheiros de Obama argumentam, porém, que durante os últimos dois anos, Gates tem sido pouco mais que um “funcionário administrativo” que conta tirar as tropas do Iraque mal possa, indica o NYT.
“Do nosso ponto de vista isto parece-nos muito bom, por causa da continuidade e da estabilidade”, indicou ao NYT um conselheiro de Obama que recusou identificar-se. “Não me parece que tenhamos problemas ideológicos”, acrescentou.
Da parte de Gates, o convite tê-lo-á obrigado a decidir entre a reforma e a sensação de dever perante o Estado, numa altura em que se prepara uma maciça retirada das tropas do Iraque e um acréscimo de homens no Afeganistão.
Caso se oficialize o acordo entre Obama e Gates – que serviu sob a presidência do primeiro Presidente Bush enquanto director da “secreta” americana, a CIA –, o secretário de Estado não irá necessitar de ver o seu mandato reconfirmado pelo Senado.
A perspectiva de Gates se manter à frente do Pentágono foi recebida com entusiasmo pelo sector militar e pela classe política, que o encara como um pragmático que veio endireitar a Defesa após a chefia tumultuosa de Donald H. Rumsfeld.
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