Moscovo opõe-se a uma missão da UE na Geórgia
08.09.2008 - 11:21 Por AFP
A Rússia opõe-se ao envio de uma missão de observadores da União Europeia para a Geórgia, estimando que isso poderá conduzir a uma "fragmentação supérflua" das missões da ONU e da OSCE já existentes, declarou hoje um porta-voz da diplomacia russa, Andrei Nesterenko, numa conferência de imprensa em Moscovo.
"A ONU e a OSCE [Organização para a Cooperação e Segurança Europeia] já asseguram, efectivamente" essa missão de observação, acrescentou o porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros.
Moscovo espera, porém, que a "UE se possa juntar activamente ao lançamento de uma missão policial da OSCE na zona de segurança adjacente à Ossétia do Sul", indicou Nesterenko.
A Rússia é a favor do envio de uma força de polícia internacional "no quadro de um mandato da OSCE com o apoio possível da União Europeia", a fim de se assegurar a segurança em torno das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.
Sábado, os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros, reunidos em Avignon, no sul de França, pronunciaram-se mais uma vez a favor do "envio de uma missão autónoma da PESC" (Política Europeia de Segurança Comum), que poderá contar com 150/200 homens, de acordo com certos responsáveis europeus.
A UE deverá analisar oficialmente no dia 15 de Setembro essa missão, mas o chefe da diplomacia europeia, Javier Solana, indicou que é preciso "esperar pela reunião de hoje, em Moscovo [entre o presidente em exercício da UE, Nicolas Sarkozy, e a administração russa] para se ver como é que se pode fazer o envio dessa missão". O campo de acção dos observadores europeus - que são, essencialmente, polícias - depende muito da cooperação com a Rússia.
Nicolas Sarkozy, acompanhado do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e de Solana, levam hoje a cabo uma visita a Moscovo com o fim claro de pressionarem a Rússia a retirar as suas tropas da Geórgia.
Por seu lado, a Geórgia indicou hoje que a Rússia reforçou a sua presença militar e torno do porto georgiano de Poti. "As forças de ocupação russas estão em vias de reforçar, mais que retirar, as suas barreiras junto ao porto comercial estratégico de Poti" (oeste), ao largo do qual esteve ancorado durante dois dias o navio militar americano USS Mount Whitney, carregado com ajuda humanitária. O navio acabou por levantar âncora durante o dia de ontem, indicou a embaixada americana em Tbilissi.
Rússia estaciona aviões na Venezuela
O porta-voz russo, Andrei Nesterenko anunciou ainda que a Rússia vai estacionar na Venezuela, temporariamente, aviões dotados de dispositivos capazes de atingir submarinos.
O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tinha já confirmado ontem à noite que os militares venezuelanos e russos estavam a planear realizar, em Novembro e Dezembro, manobras militares conjuntas no Mar das Caraíbas, durante uma passagem da frota da Rússia pela América do Sul.
"Quando vier a frota russa, em Novembro ou finais de Dezembro, estaremos preparados para a receber e, se possível, fazer uma manobra nas águas das Caraíbas", disse.
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