Kofi Annan apoia encerramento de Guantánamo
17.02.2006 - 17:35 Por AFP, PUBLICO.PT
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, juntou-se hoje ao coro de vozes internacionais que pedem o encerramento da prisão norte-americana de Guantánamo, em Cuba, um dia depois de uma comissão internacional ter concluído que alguns detidos são sujeitos a práticas "equivalentes à tortura".
"Penso que mais cedo ou mais tarde será necessário encerrar Guantánamo", afirmou Annan, em declarações aos jornalistas, sustentando que a decisão cabe à Administração norte-americana. "Espero que o faça o mais rapidamente possível", sublinhou.
O responsável salientou que não concorda com tudo o que está escrito no extenso relatório divulgado ontem pelo grupo de peritos, mas sustenta que os presos em Guantánamo "não podem ser detidos eternamente", pelo que deverão ser "acusados ou libertados".
O relatório dos peritos da ONU – nomeados pela polémica comissão de direitos humanos, mas independentes desta – defende o encerramento imediato do presídio criado em 2002 na base militar de Guantánamo, que os EUA mantém em Cuba.
Os investigadores afirmam que os cerca de 500 presos que aí se encontram devem ser transferidos para prisões nos EUA, a fim de serem julgados nos tribunais civis do país, ou então libertados.
O relatório denuncia as condições de detenção e as práticas de interrogatório a que são sujeitos os suspeitos, afirmando que alguns dos métodos descritos "devem ser avaliados como equivalentes a tortura".
A Casa Branca rejeitou de imediato o encerramento do presídio, lembrando que os suspeitos aí detidos "são terroristas perigosos" e garantiu que todos os prisioneiros "são tratados de forma humana".
A presidência norte-americana considera que o relatório contribuiu para "desacreditar" a própria ONU, já que se baseia em "alegações falsas", não tendo os peritos chegado a visitar o campo.
No entanto, o relatório explica que os peritos recusaram o convite para entrar na unidade depois de terem sido informados de que não seriam autorizados a entrevistar ou sequer a visitar os detidos. As informações recolhidas são, por isso, baseadas em entrevistas a ex-detidos, notícias da imprensa, testemunhos de advogados, num interrogatório feito ao Governo norte-americano e em documentos públicos.
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