José Sócrates: não há alternativa ao Tratado de Lisboa
20.06.2008 - 15:27 Por Lusa, PÚBLICO
O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje em Bruxelas que “não há alternativa ao Tratado de Lisboa” e defendeu que os processos de ratificação devem prosseguir, visando a entrada em vigor do texto “o mais rapidamente possível”.
“Essa é uma vontade política forte da Europa (...) O Conselho deseja que o Tratado de Lisboa entre o mais rapidamente em vigor, porque é essencial para a União Europeia”, afirmou Sócrates, no final da Cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 27, dominada pela discussão sobre as consequências da vitória do “não” no referendo realizado há uma semana na Irlanda.
Para o primeiro-ministro, o Conselho realizado entre ontem e hoje em Bruxelas deixou “a mensagem clara de que os processos de ratificação devem prosseguir em todos os países que ainda não o fizeram”, porque há “a consciência de que o Tratado de Lisboa é essencial”.
José Sócrates afirmou ainda que a outra mensagem que sai deste Conselho relativamente ao processo de ratificação é “o respeito por aquilo que foi a vontade do povo irlandês” e uma particular “atenção às preocupações que esses eleitores manifestaram”. Disse que os governos europeus querem “encontrar uma resposta jurídica que permita ir ao encontro daquilo que foram as motivações desses irlandeses”.
Cavaco diz que a Europa “não pode voltar atrás”
Presidente da República português, Aníbal Cavaco Silva, disse hoje que a Europa “não pode pagar o preço de andar para trás para a estaca zero” se o Tratado de Lisboa for rejeitado.
Falando num almoço que ofereceu aos presidentes dos Parlamentos nacionais da União Europeia, no Museu dos Coches, o chefe do Estado afirmou que “o Tratado de Lisboa é hoje mais necessário do que nunca”. E disse que a reunião, em Lisboa, dos parlamentos nacionais europeus “antecipa o espírito” do Tratado de Lisboa.
“Acredito que seremos capazes de encontrar uma solução como fizemos no passado”, afirmou. “Temos de respeitar a vontade do povo irlandês, mas também temos que tornar claro que a Europa não pode pagar o preço de andar para trás, para a estaca zero”, advertiu.
Cavaco Silva recordou que, em Junho de 1992, quando era primeiro-ministro, a comunidade europeia também mergulhou numa crise semelhante e foi possível encontrar, seis meses depois, na Cimeira de Edimburgo, uma solução para a adopção do Tratado de Maastricht.
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