Jornal de Cabo Verde diz que Nino terá sido degolado
04.03.2009 - 11:24 Por PÚBLICO
Informações recolhidas em Bissau pelo jornal cabo-verdiano "A Semana online" referem que o Chefe de Estado guineense, Nino Vieira, terá sido "degolado ou decapitado, à maneira balanta, etnia do general Tagma na Waie, de Paulo Correia e de outros militares eliminados durante o conturbado reinado do ex-presidente".
"O ódio dessa etnia por Nino Vieira é conhecido e à frente da acção de vingança, executada pelo célebre Batalhão de Mansoa, terá estado um sobrinho de Tagma, também militar e homem de confiança do velho general" que no domingo à noite fora vítima de uma bomba no Estado-Maior General das Forças Armadas, prossegue aquele jornal de Cabo Verde.
Uma das testemunhas dos acontecimentos desta semana em Bissau foi o romancista britânico Frederick Forsyth, que ontem se sentiu na obrigação de garantir à BBC que "nada tivera a ver com o que se passara", apenas se tendo dado a coincidência de estar na cidade quando tudo aconteceu.
Uma vez que o escritor em causa já em tempos reconhecera que ajudara a financiar uma tentativa de golpe de estado na Guiné Equatorial, causou surpresa a notícia de ele haver chegado agora à Guiné-Bissau no período de poucas horas que mediou entre as mortes do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e do Presidente da República.
Em 1974 o seu livro "Cães de Guerra" contava precisamente uma conjura para derrubar o Governo de um país africano que seria pura ficção. E hoje em dia Forsyth explica estar em Bissau a recolher material para uma nova obra, pelo que logo na segunda-feira à noite jantou com o patologista forense que investiga a morte de João Bernardo Vieira.
"O que eu estava a investigar nada tinha a ver com a morte violenta de generais ou de presidentes. Mas é como que uma cereja no topo do bolo, pelo que provavelmente o poderei vir a utilizar no livro", afirmou Forsyth ao programa "The World Today", da BBC.
O funeral de Tagma Na Waie está marcado para amanhã, mas o de Nino Vieira só deverá efectuar-se mais tarde.
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