Irão: Conselho dos Guardiões reitera legitimidade da reeleição de Ahmadinejad
26.06.2009 - 09:34 Por PÚBLICO
O Conselho dos Guardiões, órgão legislativo de topo no Irão encarregue de supervisionar as eleições, reiterou esta manhã que não foram detectadas quaisquer fraudes na recondução eleitoral do Presidente, Mahmoud Ahmadinejad.
“Podemos dizer com toda a certeza que não houve nenhuma fraude no escrutínio”, asseverou o porta-voz dos Guardiães, Abbasali Kadkhodai, citado pela agência noticiosa estatal iraniana Irna, insistindo que não ocorreu qualquer irregularidade fraudulenta e que o sufrágio foi “inatacável”.
Dois dos candidatos derrotados pelo ultraconservador Ahmadinejad, o clérigo pró-reformas Medhdi Karoubi e o antigo primeiro-ministro iraniano moderado Mir-Hossein Mousavi, continuam a exigir a anulação dos resultados, alegando que foram cometidas diversas irregularidades.
O próprio Conselho admitia, de resto, há apenas três dias que havia irregularidades em três milhões de votos e reconhecera que fora detectada uma participação de mais de 170 por cento em várias circunscrições eleitorais. Mas, e isso era sublinhando desde então, os Guardiões não consideravam que estas inconsistências tivessem uma influência importante nos resultados – logo afastando qualquer possibilidade de anular o sufrágio que deu o triunfo a Ahamadinejad com 63 por cento dos votos.
Os protestos maciços que expressaram claramente a profunda cisão social e política no Irão na sequência do anúncio dos resultados oficiais a 13 de Junho, no dia seguinte às eleições, perderam vigor nas ruas desde o início desta semana, após um cerrado apertar de segurança por parte das autoridades. Centenas de activistas e manifestantes terão sido detidos e pelo menos 17 pessoas – incluindo o “rosto da oposição”, a jovem Neda Solan – foram mortos.
Ahmadinejad – assim como antes o Supremo Líder iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, que detém a última e mais poderosa palavra nos assuntos do país – aponta responsabilidades às potências ocidentais pela tensão que se vive no país, tendo mesmo acusado ontem o Presidente norte-americano, Barack Obama, de “interferir” nos assuntos internos do Irão depois de este se ter expressado “chocado e indignado” com a violência com que as autoridades reprimiram as manifestações contra o regime de Teerão.
A Casa Branca, aliás, devolveu ainda ontem à noite as acusações. “Há pessoas no Irão que querem transformar isto num debate sobre o Ocidente e os Estados Unidos em vez de um debate entre iranianos sobre o Irão”, observou o porta-voz da Administração Obama, Robert Gibbs, deixando claro que põe Ahmadinejad nessa lista de “pessoas que estão a tentar fazer disto uma questão sobre os Estados Unidos”.
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