Ingrid Betancourt: salvamento em estilo de cinema
03.07.2008 - 13:38 Por Agências, Paulo Miguel Madeira
“Disseram-nos: ‘Somos do exército nacional, estão livres’. O helicóptero quase que caiu. Saltámos, gritámos. Pensei que era um milagre. A operação do meu país foi perfeita”, contou Ingrid Betancourt já depois em liberdade, na sequência de uma operação do Exército colombiano baseada nos serviços de informações e que infiltrou o primeiro círculo dos guerrilheiros marxistas das FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Ingrid Betancourt contou que os reféns libertados ontem foram forçados a entrar num helicóptero algemados mas que depois ficaram surpresos ao verem os seus captores serem desarmados quando o aparelho descolou, descrevendo uma cena que pôs fim ao seu cativeiro de mais de seis anos, bem como ao de 14 outras pessoas.
A operação decorreu na província de Guaviare, no Sudeste do país, um dos principais bastiões das FARC, e libertou também três norte-americanos e onze militares colombianos que estavam em cativeiro. “Foi uma operação digna de um filme”, nas palavras do ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, que ontem surpreendeu todos ao anunciar a libertação dos reféns “numa operação militar durante a qual foi possível infiltrar o primeiro círculo das FARC, aquele que durante os últimos anos vigiou um importante grupo de reféns”.
Quando questionado sobre o eventual papel dos EUA na operação, Juan Manuel Santos disse que ela foi “cem por cento colombiana”, tendo tido apenas “um pequeno auxílio [dos americanos] para calibrar algumas coisas, mas muito à margem”. Realçou também, segundo a AFP, que o trabalho de informações “também foi colombiano”.
O ministro explicou que os reféns das FARC estavam divididos em três grupos, pelo que o Exército, graças a agentes infiltrados, fez passar uma mensagem de que Alfonso Cano, o novo líder dos rebeldes, ordenara que os reféns fossem levados à sua presença e que para isso deveriam ser reunidos num determinado ponto de Guaviare.
Um helicóptero militar camuflado, com agentes dos serviços secretos militares a bordo, deslocou-se depois para o local de reunião, com o pretexto de recolher os reféns. Os guerrilheiros que acompanhavam os detidos “foram imediatamente neutralizados”, incluindo um operacional conhecido como “César”, alegadamente o chefe dos carcereiros.
O ministro da Defesa garantiu que não foi efectuado qualquer disparo, não houve feridos e que, em nenhum momento da operação, a segurança dos reféns foi posta em causa. Não poupando elogios aos seus efectivos, afirmou que esta foi uma operação “sem precedentes” que “ficará na história “pela sua audácia e eficácia”.
Num discurso ao país ontem à noite, também o Presidente Álvaro Uribe elogiou “o trabalho magnífico dos militares” e disse que “nunca houve qualquer improviso” na operação.
“Agradeço ao presidente Uribe ter assumido este risco, sei que deve ter sido um momento muito difícil, porque a operação era muito arriscada, mas desenrolou-se de forma impecável”, disse por seu lado Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência do país, que foi presa durante a campanha eleitoral de 2002, algumas horas depois de ter recuperado a liberdade.
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