George W. Bush confirma demissão de Donald Rumsfeld
08.11.2006 - 18:11 Por Agências
O Presidente norte-americano confirmou hoje a demissão de Donald Rumsfeld como secretário da Defesa, alegando que ambos concluíram que "este é o momento para uma nova chefia do Pentágono". George W. Bush confirmou também a nomeação de Robert Gates, antigo director da CIA, para a chefia das forças armadas dos EUA.
Rumsfeld "foi um líder soberbo em tempos de mudança" e "um patriota que serviu o país com honra e distinção", afirmou Bush, na conferência de imprensa de reacção à vitória dos democratas nas eleições intercalares de ontem.
"Admito que muitos americanos votaram ontem para manifestar o seu descontentamento com a falta de progresso" da situação no Iraque, afirmou, apesar de garantir que a substituição do secretário da Defesa não foi uma consequência da derrota eleitoral: "A decisão foi tomada ontem, ganhássemos ou perdêssemos".
"Ambos concordámos que era necessária uma perspectiva nova" na condução da guerra, afirmou o Presidente, admitindo, pela primeira vez, que a estratégia para o Iraque "não está a funcionar bem ou rápido o suficiente".
Iraque afundou Rumsfeld
Rumsfeld, à frente do Pentágono desde o primeiro mandato de George W. Bush, foi um dos defensores da invasão do Iraque e o principal estratega da guerra para derrubar o regime de Saddam Hussein, já depois de ter organizado a ofensiva contra o Afeganistão, lançada após os atentados de 11 de Setembro. Esta foi a segunda vez que assumiu a condução do Departamento de Defesa, cargo que ocupou por dois anos no mandato de Gerald Ford.
Mas a guerra do Iraque não lhe traria proveitos. Há semanas que vários chefes militares e a oposição exigiam o afastamento do chefe do Pentágono, responsabilizando-o pelos erros de estratégia cometidos no terreno.
Na semana passada, Bush garantiu, durante uma acção de campanha, que Rumsfeld iria manter-se em funções até ao final do mandato, em Janeiro de 2009, mas hoje confessou ter-se encontrado com Gates no domingo passado para o convidar para o cargo.
Questionado sobre se a mudança de rostos no Departamento de Defesa irá representar uma revisão da estratégia na guerra para o Iraque, que já provocou 2800 baixas entre as tropas norte-americanas, Bush limitou-se a afirmar: "Bem, vai certamente haver uma nova liderança no Pentágono".
Contudo, sublinhou que os maus resultados eleitorais e a substituição de Rumsfeld não levarão as forças norte-americanas "a aceitar a derrota" e a sair prematuramente do Iraque. "Esta é uma luta dura", mas "continuamos empenhados na vitória", declarou.
Bush “desapontado” com resultados eleitorais
Durante a conferência de imprensa, Bush admitiu estar “desapontado” com os resultados eleitorais, mas garantiu que, enquanto líder do Partido Republicano, partilha “boa parte das responsabilidades” pela derrota.
Sublinhando que os democratas “têm agora maiores responsabilidades” na política nacional, Bush disse que “espera poder trabalhar em conjunto” com a oposição em áreas tão distintas como a educação ou a política de segurança nacional.
Nas eleições intercalares de ontem, os democratas reconquistaram a maioria na Câmara dos Representantes, que já não detinham há doze anos, e estão a um lugar de garantir igual feito no Senado, quando falta eleger apenas um lugar.
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