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Espanha

ETA anuncia cessar-fogo para "lançar processo democrático" no País Basco

22.03.2006 - 11:51

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O grupo terrorista basco ETA anunciou hoje um "cessar-fogo" destinado a "lançar o processo democrático" no País Basco, avança um comunicado enviado hoje a vários órgãos de comunicação social bascos.

AP (arquivo)

A ETA foi responsável pela morte de mais de 800 pessoas desde 1968

"A ETA decidiu declarar um cessar-fogo permanente a partir de 24 de Março de 2006", indica o comunicado intitulado "Mensagem de Euskadi Ta Askatasuna [Pátria Basca e Liberdade] ao povo basco", do qual a AFP obteve uma cópia.

"O objectivo desta decisão é lançar o processo democrático no País Basco com o objectivo de edificar um novo quadro no seio do qual serão reconhecidos os direitos que nos assistem enquanto povo", lê-se no documento.

"No final do processo, os cidadãos bascos deverão ter a palavra e o poder de decisão sobre o seu futuro", continua o comunicado, referindo ainda a reivindicação do direito de autodeterminação do País Basco espanhol.

A organização apela ainda às autoridades espanhola e francesa para que "respondam de maneira positiva a esta nova situação, deixando de lado toda a repressão".

O comunicado, em jeito de "mensagem ao povo basco", apela a todos os agentes para que "actuem com responsabilidade" e para que "sejam consequentes com o passo dado" pela organização terrorista.

"A ETA mostra o desejo e vontade de que o processo aberto chega ao final e assim se consiga uma situação democrática para Euskal Herria, superando o conflito de largos anos e construindo uma paz baseada na justiça", refere ainda.

No comunicado, a organização reafirma o "compromisso" de "continuar a dar passos no futuro, de acordo com essa vontade" expressa pelos cidadãos.

Este anúncio de cessar-fogo da ETA já era esperado, depois de várias semanas de encontros com o Governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero, que sempre condicionou a abertura das negociações ao abandono definitivo da violência por parte da organização responsável pela morte de mais de 800 pessoas desde 1968.

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