China apela a Angela Merkel que não receba o Dalai Lama
18.09.2007 - 11:22 Por Lusa
O Governo chinês voltou hoje a criticar o encontro de responsáveis políticos com o Dalai Lama depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter anunciado que receberá o líder tibetano no seu próprio gabinete.
"A nossa posição é clara e mantém que o Tibete sempre foi parte da China e é, por isso, um assunto interno do nosso país", disse Jiang Yu, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Jiang repetia assim a posição que Pequim manifestou na semana passada quando criticou o Parlamento português por receber o Dalai Lama na sua visita a Portugal, entre 12 e 16 deste mês.
O Dalai Lama, prémio Nobel da Paz em 1989, manteve em Lisboa uma conferência pública e encontros com deputados portugueses, com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e com o ex-Presidente da República Jorge Sampaio. O primeiro-ministro, José Sócrates, não recebeu o Dalai Lama e o Presidente da República, Cavaco Silva, justificou a mesma atitude com o facto de não ter recebido qualquer pedido por parte do líder tibetano.
A porta-voz chinesa apelou também à chanceler alemã que não receba o Dalai Lama e reiterou o ponto de vista de Pequim, afirmando que "o Dalai Lama não é um simples líder religioso e, ao envolver-se em actos separatistas, tentou separar o Tibete da pátria chinesa".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês convocou o embaixador alemão em Pequim, Michael Schäfer, para apresentar um protesto formal contra o encontro entre Merkel e o Dalai Lama, marcado para 23 de Setembro.
Merkel será a primeira chefe de Governo da Alemanha a receber formalmente o Dalai Lama, a autoridade máxima política e religiosa tibetana, exilado desde que a China anexou militarmente o Tibete, em 1959.
O Dalai Lama não tem contactos directos desde 1993 com Pequim, que considera o líder tibetano como um separatista, devido à sua posição inicial que reclamava a independência do Tibete. Desde então, o Dalai Lama abandonou as exigências de independência e o objectivo é agora uma "autonomia real e significativa" na qual o Tibete só responda a Pequim em questões de defesa e diplomacia.
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