Alemanha: CDU de Angela Merkel admite coligação com qualquer partido
19.09.2005 - 15:30 Por AFP, Reuters
Angela Merkel, a candidata dos democratas-cristãos alemães às eleições legislativas, garantiu hoje que não tem preferência quanto ao futuro parceiro para formar uma coligação governamental. Tanto a CDU como os sociais-democratas do SPD já convidaram os seus rivais para negociações com vista à formação do próximo Governo.
A escassa margem da vitória das Uniões Cristãs (que integra a CDU e o partido irmão da Baviera, CSU), que obtiveram apenas mais 0,9 por cento do que os sociais-democratas de Gerhard Schroeder, deixa em aberto todas as possibilidades quanto à cor do futuro Executivo germânico, incluindo a de uma grande coligação entre os dois maiores partidos.
Os dois partidos já formalizaram o convite à formação contrária para o início das negociações, mas ambos os candidatos colocam como condição serem eles a liderar o futuro Governo, deixando poucas esperanças sobre um entendimento entre democratas-cristãos e sociais-democratas.
Assim, e apesar de não afastar nenhum cenário, Merkel anunciou que a CDU vai negociar, em primeiro lugar, com os pequenos partidos. Contudo, se um entendimento entre os conservadores e os liberais do FPD parece ser o mais óbvio, os votos obtidos pelos dois partidos não garantem uma base parlamentar maioritária ao futuro Governo, já que o FPD não foi além dos 9,8 por cento.
O apoio que falta poderá vir dos Verdes, até agora coligados com o SPD, que obtiveram 8,1 por cento dos votos nas eleições de ontem, embora os analistas afirmem que uma coligação deste género teria pouca credibilidade, dada a distância que separa os programas de conservadores e ecologistas.
Face à difícil tarefa que espera a CDU, o SPD decidiu tomar também a iniciativa do processo, convidando os partidos para negociações exploratórias já esta semana.
Em declarações aos jornalistas, o presidente do SPD, Franz Müntefering, reafirmou, contudo, que o SPD só está interessado em participar numa coligação se o chanceler for Gerhard Schroeder e se o programa a aplicar for o apresentado pelo partido às eleições legislativas.
Já ontem, o ainda chanceler afirmou que os resultados das legislativas representavam “uma grande derrota” para a candidata da CDU que, dada a escassa vantagem, não pode “aspirar ao poder”.
Na resposta, Merkel lembrou hoje que a CDU-CSU venceu as legislativas de ontem, obtendo mais 1,2 milhões de votos do que o SPD e Verdes. “Conseguimos formar o maior grupo parlamentar”, afirmou a candidata, sustentando que se trata de “um claro mandato para governar”.
Confrontado com estas declarações e temendo as consequências de um impasse político na maior economia da Europa, o presidente da Comissão Europeia exortou os líderes políticos alemães a formarem um Governo o quanto antes. “Espero sinceramente que possa surgir na Alemanha um Governo estável”, afirmou Durão Barroso, recordando que Berlim “é o motor da Europa e sem a sua dinâmica a Europa não conseguirá sair da crise”.
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