Repórteres Sem Fronteiras denunciam novos "predadores da liberdade"
03.05.2006 - 08:55 Por Ana Machado, PÚBLICO
O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, o Presidente iraniano recentemente eleito, Mahmoud Ahmadinejad, os guerrilheiros Tamil do Sri Lanka, o cabecilha dos paramilitares da Colômbia Diego Fernando Murillo Bejanero, e ainda o líder das FARC, as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas, Raul Reyes. São estes os cinco nomes que os Repórteres Sem Fronteiras juntam este ano a uma lista de "predadores da liberdade de imprensa". A lista, que vem a ser feita desde 2001 e que já tinha 32 nomes, foi acrescentada no âmbito do Dia da Liberdade de Imprensa que hoje se comemora em todo o mundo.
Deste top já faziam parte nomes como o líder cubano Fidel Castro, o Presidente chinês, Hu Jintao, Kim Jong-il, o dirigente da Coreia do Norte, o da Líbia, Mouammar Kadhafi, ou o Presidente russo, Vladimir Putin. "Quer sejam presidentes, ministros, reis, líderes espirituais, chefes de guerrilha ou líderes de organizações criminosas, estes predadores da liberdade de imprensa têm nas suas mãos o poder de raptar, torturar e assassinar jornalistas", dizem os Repórteres Sem Fronteiras no seu relatório, citado pela agência AFP.
Mas não são só nos regimes repressivos que a liberdade de imprensa está ameaçada. Segundo os Repórteres Sem Fronteiras a livre expressão e o jornalismo está ameaçado em todo o mundo, da Ásia aos Estados Unidos, passando pela Europa.
O ano que passou, 2005, foi o pior de que há memória, com 63 jornalistas mortos. Houve 1300 casos de agressões a jornalistas declarados e 807 registos de ingerências do poder, qualquer que ele seja, na actividade da imprensa, denunciam os RSF, recordando casos como o de Florence Aubenas, a jornalista do diário francês Libération, raptada no Iraque, ou a prisão da norte-americana Judith Miller, jornalista do The New York Times, presa porque não quis denunciar as suas fontes.
Na Ásia, a organização continua a referir a China, no topo da lista de países que mais tentam liimitar a liberdade de imprensa. Apontam as Filipinas como o segundo país asiático onde morreram mais jornalistas em 2005, a seguir ao Iraque. E falam da crescente pressão sobre a imprensa exercida pelo Governo de Mari Alkatiri em Timor Leste que, através de tentativas de controlo dos media e da alteração do código penal, tem vindo a apertar o espartilho da liberdade de imprensa na mais jovem nação asiática. Mas também realçam bons exemplos como a Índia, que descrevem como sendo "o gigante asiático da liberdade de imprensa".
Há ainda casos europeus apontados pelos Repórteres Sem Fronteiras como graves atentados contra a liberdade de imprensa, como a situação na Rússia e o panorama dos media italianos sob o controlo apertado do Governo de Silvio Berlusconi, que é também o patrão do maior grupo de comunicação do país, o Mediaset. São ainda referidos os ataques a jornalistas durante o motins nos arredores de Paris e, na generalidade dos países, as frequentes investidas contra o direito sagrado da protecção das fontes dos jornalistas.
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