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Mandato dura um ano

Novo provedor do PÚBLICO quer ajudar leitores a perceber opções da redacção

07.01.2006 - 12:32 Por Carlos Pessoa, PÚBLICO

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O novo provedor dos leitores do PÚBLICO, o jornalista Rui Araújo, publica amanhã o seu primeiro texto. Durante o ano de 2006, manterá um diálogo semanal com os leitores sobre o conteúdo do jornal e as questões relativas ao exercício do jornalismo.

Pedro Cunha

Rui Araújo promete não ser figura "ornamental"

Entre as suas funções, que iniciou no dia 1 de Janeiro, conta-se a avaliação da pertinência das queixas, sugestões e críticas dos leitores. Poderá também produzir recomendações, transmitindo aos leitores a sua reflexão sobre eventuais desrespeitos pelas normas deontológicas que regem a actividade dos profissionais de informação do jornal.

"Não serei figura ornamental", afirmou Rui Araújo ao PÚBLICO. "O provedor pode e deve ajudar os leitores a entenderem o funcionamento da redacção e as razões das diferentes opções editoriais", acrescenta. Entende, ainda, que lhe cabe sobretudo "tratar de questões concretas" e que isso significa, na prática, "dar voz tanto aos leitores como aos jornalistas que trabalham no jornal". Os primeiros "podem identificar-se mais com o jornal através do provedor". Aos segundos, espera poder "ajudá-los a questionarem o que fazem, promovendo uma relação diferente entre quem lê e quem escreve".

O novo provedor considera que não são apenas os leitores e os jornalistas a ganhar com a existência desta função. "O jornal também pode ganhar mais credibilidade", diz.

Porque aceitou Rui Araújo o cargo? "Um amigo jornalista australiano com quem comentei o assunto disse-me: "Eu não aceitava." Mas era um desafio e eu gosto de desafios. Aceitei." Disse que sim, porque "o PÚBLICO é o jornal português de referência". E também porque apesar de estar ciente de que não pode "mudar muita coisa", considera ser "importante que as organizações sejam transparentes, e essa transparência começa por nós, pelo rigor, isenção e qualidade do que fazemos".

O novo provedor não ignora que o "desafio não pode ser ganho se os leitores não participarem". E, se for caso disso, "questionarem o jornal". A necessidade de resposta e adesão dos leitores é recorrente no discurso de Rui Araújo, sabedor de que "temos uma opinião pública frouxa e que faltam hábitos de crítica e participação".

O exercício da crítica do jornal nas suas próprias páginas não intimida Rui Araújo: "De facto, sou pago para "dar na cabeça" de quem faz o jornal", afirma com humor. E acrescenta: "Tenho a noção de que a procura da verdade é a missão dos jornalistas. As ferramentas de trabalho - o Livro de Estilo do PÚBLICO e o Código Deontológico dos Jornalistas são isso mesmo, ferramentas. Mas ser árbitro nunca é fácil, pois há que fazer opções e estas são sempre questionáveis."

Provedor na televisão pode ser "missão impossível"

Como está menos ligado aos textos e às histórias que eles contam ("não há cordão umbilical"), o provedor tem a seu favor o "distanciamento" face à matéria em apreciação, que lhe permite "ter outro olhar sobre as coisas". E conta com o "factor tempo", pois tem "uma semana para analisar as situações antes de se pronunciar sobre elas".

Apesar de "não poder fazer reportagem", Rui Araújo tem da sua nova função a perspectiva de que "pode ser extremamente aliciante": "Associo esta experiência de um ano como provedor ao tempo que passei em Harvard [foi bolseiro da Nieman Foundation for Journalists], onde o trabalho era pensar o jornalismo. A diferença é que em vez de escrever sobre as grandes teorias da comunicação ou os grandes mestres da escrita, tenho de tratar de questões práticas e concretas".

A recente criação de provedores na televisão e rádio públicas suscita uma apreciação crítica a Rui Araújo. "A realidade da paisagem audiovisual portuguesa é extremamente preocupante. A televisão nivelou o jornalismo televisivo por baixo e ali informar não é um serviço, mas uma mercadoria. E isso é preocupante porque para a maioria dos portugueses aquela é a única fonte de informação do que se passa no mundo."

"Por outro lado", acrescenta, "a programação dos canais generalistas é muito pobre - telenovelas seguidas em horário nobre, ausência de programas de reportagem e culturais, telejornais muito longos."

Com tal diagnóstico, o provedor dos leitores do PÚBLICO considera que a existência de um provedor do telespectador "será importante se ele for competente, honesto e objectivo, e não um mero "pau-mandado" da administração". Ou seja, conclui Rui Araújo, "pode ser uma missão impossível".

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Comentário + votado

Acredito no que diz! Terei muito gosto em dar-lhe os parabéns...depois de ver

Alguns leitores, como eu, precisam de ser informados com clareza e sem utilizarem o título como ...

Anónimo

07.01.2006 15:57

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