Administração anuncia que “O Primeiro de Janeiro” regressa às bancas amanhã
03.08.2008 - 15:32 Por Lusa
A administração do jornal “O Primeiro de Janeiro” anunciou hoje que o matutino vai regressar às bancas amanhã com uma nova imagem e uma tiragem de 30 mil exemplares, mas nada adianta sobre a situação dos trabalhadores dispensados. Em comunicado, a administração refere que "o diário, que completa 140 anos de vida ininterrupta, vai estar nas bancas e em pontos de leitura distribuídos por locais seleccionados, com uma reforçada distribuição de mais 30 mil exemplares".
Os responsáveis acrescentam, ainda, que o matutino regressará com "um novo grafismo, adaptado às actuais e futuras preferências dos leitores, renovando a sua linha editorial, que privilegia o Porto e o Norte e mantendo a Cultura e o Desporto como referências".
Também a edição online se apresentará renovada, refere a administração da Folio, Comunicação Global, Lda., empresa proprietária de “O Primeiro de Janeiro”. A directora do jornal, Nassalete Miranda, anunciou quinta-feira que “O Primeiro de Janeiro” cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo". No dia seguinte, sexta-feira, os trabalhadores do jornal receberam as cartas da administração que extinguem os seus postos de trabalho por reestruturação da empresa detentora do título.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, lamentou o comportamento da empresa por estar a tentar "descartar-se de 32 funcionários, como se fossem algo que se pode usar e deitar fora". "Denunciaremos todas as ilegalidades que se verificarem", afirmou Alfredo Maia, considerando que "o comportamento da administração levanta muitas dúvidas sobre a legitimidade que tem para fazer um jornal".
Sindicato fala em “instrumentalização”
O dirigente do Sindicato apelou às pessoas que estejam envolvidas na edição de amanhã, que se desconhecem, para fazerem "uma reflexão sobre a forma como estão a ser instrumentalizadas para substituir os trabalhadores despedidos ilicitamente". "Devem ponderar que de hoje para amanhã poderão ser eles os substituídos por não se sabe quem", alertou. Os trabalhadores continuam a considerar ilegal a comunicação de despedimento e, por isso, continuam a apresentar-se diariamente à porta do jornal.
Uma fonte da redacção disse que os jornalistas foram surpreendidos com o anúncio do regresso do jornal às bancas, afirmando desconhecer quem está a fazer o jornal. A mesma fonte salientou, contudo, que os funcionários dos Cadernos Especiais, que assinam publi-reportagens "têm trabalhado normalmente". "Não sabemos o que se passa nem o que vai acontecer amanhã", acrescentou.
A Lusa tentou contactar a direcção de “O Primeiro de Janeiro”, mas todas as tentativas resultaram infrutíferas. No editorial de sexta-feira do diário portuense, a directora Nassalete Miranda referia que o jornal estaria encerrado "alguns dias". Num texto intitulado "Até para a semana", a responsável afirmava que o jornal centenário "irá ressurgir mais forte, com novo grafismo e com nova dinâmica".
Em comunicado divulgado logo após os trabalhadores terem sido informados do fecho do jornal, o Sindicato alertou os mais de 30 jornalistas e restantes trabalhadores afectados para o facto da administração do matutino portuense não poder "encerrar simplesmente as portas e mandar para casa os trabalhadores ao seu serviço, sem ter encetado um processo que respeite as normas legais e acautele os seus direitos e garantias". Para o Sindicato, o "encerramento ilegal" daquele jornal e o despedimento abusivo de mais de 30 jornalistas e outros quatro trabalhadores ao seu serviço, configura um verdadeiro lock-out, traduzido na mudança de fechaduras das instalações realizada pouco depois da comunicação do encerramento.
O Primeiro de Janeiro, actualmente detido pelo grupo do empresário de Oliveira de Azeméis Eduardo Costa, é um dos mais antigos diários de Portugal.
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