Relatório de empresa de manutenção da CP aponta situações de risco na linha do Tua
30.10.2008 - 20:57 Por Carlos Cipriano
Um documento da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) produzido após o último acidente, em Agosto, na linha do Tua evidencia, através de imagens, a falta de conservação daquela infra-estrutura.
Os engenheiros daquela empresa participada da CP percorreram a pé os troços próximos dos locais dos acidentes recentes naquela via e apontam situações que “podem originar uma elevada probabilidade de pôr em risco a segurança da circulação”, como se pode ler no relatório que está no site do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
As imagens, contudo, carecem de explicação. Apesar de serem visíveis defeitos de alinhamento, os mesmos estão dentro dos parâmetros exigidos para as baixas velocidades ali praticadas. E os espaçamentos existentes nos carris variam com a hora do dia e o mês do ano, consoante a temperatura. O calor dilata os corpos e, por isso, as juntas dos carris não podem estar muito encostadas para evitar que se sobreponham quando aquecem.
O próprio “empeno” — defeito que terá estado na origem do último acidente, que vitimou uma pessoa – já existia antes do descarrilamento e já por ele tinham passado vários comboios nos dias anteriores. Este acidente ocorreu num sábado, quanto a automotora ia mais cheia do que o habitual, o que pode explicar o “efeito conjugado” do defeito de via com a inadequação do material circulante, que os relatórios finais referem.
Nas linhas do interior, a Refer tem vindo a diminuir efectivos ligados à manutenção da via, trocando o pessoal fixo — detentor de um saber e de uma experiência acumulada que tem um século e meio — por contratos a empresas que fazem os trabalhos de conservação por empreitada. Daí que as brigadas de conservação e de segurança da via estejam reduzidas ao mínimo.
Ainda assim, entre 2001 e 2006, a Refer investiu dois milhões de euros na linha do Tua e 1,5 milhões em 2007. Só que os trabalhos concentraram-se na automatização de passagens de nível na zona de Mirandela e Cachão e na consolidação de taludes na zona escarpada do rio. Ficou por fazer aquilo que evita os descarrilamentos — a renovação da via-férrea propriamente dita.
Castanho Ribeiro, da administração da Refer, disse ao PÚBLICO que “as fotos denotam situações que na realidade não são tão preocupantes”, mas escusou-se a fazer mais comentários, explicando apenas que a empresa está a dar cumprimento aos despachos emanados pela tutela na sequência dos relatórios. “Estamos a avaliar e, onde houver fragilidades, iremos corrigi-las”, disse, lembrando, contudo, que os inquéritos apontam para um efeito conjugado da via e do material circulante.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.

