Exército apoia operação de defesa biológica em suinicultura abandonada de Alcácer do Sal
20.12.2007 - 13:09 Por Ana Machado
A exploração ilegal de suinicultura de Alcácer do Sal abandonada pelos proprietários, onde os animais foram deixados a morrer à fome e à sede, está hoje a ser alvo de uma grande operação da companhia de defesa biológica do Exército. A exploração abandonada fica a dois quilómetros da população do Torrão, Alcácer do Sal.
A notícia do abandono da exploração foi avançada na edição de sábado do "Jornal de Notícias". Segundo o jornal, os primeiros alertas foram dados por habitantes das redondezas no passado dia 8. O cheiro dos animais mortos, o barulho feito pelos que, abandonados à fome e à sede, continuavam vivos e aprisionados, e o vagabundear de alguns animais, que se conseguiram soltar entretanto pelas redondezas das explorações, levaram a que a população alertasse as autoridades.
A GNR terá entretanto, mediante queixa de um morador, levantado mesmo um auto de contra-ordenação aos proprietários.
Ontem os responsáveis do laboratório de defesa biológica do Exército, uma unidade inaugurada em Fevereiro de 2006, requisitados pela Direcção-geral de Veterinária, visitaram pela primeira vez o local para fazer o levantamento da situação, explicou ao PÚBLICO.PT o tenente médico-veterinário José Freitas, que hoje está no terreno. Esta é a primeira vez que este laboratório do Exército actua.
"Colocava-se o risco de perigo para a saúde pública. Por isso foi pedido o auxílio do Exército. Mas a situação está já controlada e os trabalhos de segurança biológica ficarão prontos hoje", afirmou o especialista. Foram encontrados cerca de 50 animais mortos e perto de uma centena vivo mas que teve de ser abatido: “Os animais não estavam doentes mas estavam muito fragilizados, num sofrimento muito grande. A indicação foi para abater”, disse Lopes Jorge, da Direcção Geral de Veterinária, um dos especialistas que estava ontem a conduzir as operações em Álcacer do Sal.
"Comprovamos que os animais não morreram de nenhuma doença. Morreram de fome e sede", frisou também José Freitas sobre os trabalhos de avaliação de risco biológico feitos pelo seu laboratório. Os especialistas do exército envolvidos no trabalho passaram, mesmo assim, por uma estação de descontaminação, pertencente à Escola Prática de Engenharia, para prevenir eventuais situações de contágio.
Os restantes trabalhos estão agora a cargo da Direcção Geral de Veterinária. Foi aberta uma vala na exploração onde serão incineradas as carcaças dos animais mortos. Os animais vivos serão abatidos em locais próprios.
Para além de porcos, os técnicos no terreno encontraram também 14 bovinos sem registo, que, por esse facto, conforme indica a legislação, também foram encaminhados para serem abatidos.
Situação conhecida desde 2000
Segundo Antonieta Santos, veterinária municipal da Câmara de Alcácer do Sal, a exploração em causa existe desde 2000 e sempre esteve ilegal.
O primeiro pedido de legalização deu entrada na câmara esse ano. Mas por não estarem reunidas todas as condições a legalização foi indiferida. Em 2003 voltou a ser pedida a legalização da exploração, mas o proprietário, segundo conta Antonieta Santos, voltou a não apresentar todas as condições necessárias. Para além do aval do ministério Agricultura, as câmaras têm sempre de dar um parecer positivo à legalização das explorações.
Questionada sobre a razão pela qual, ao longo dos anos, as autoridades nunca tinham mandado encerrar a exploração onde eram criados animais ilegalmente, Antonieta Santos respondeu: “Nunca foi mandada fechar porque nunca abriu realmente”. E afirma que não sabe a quem competia essa fiscalização e o possível encerramento. Mas acrescenta: “O proprietário comercializava os animais.”
O que é inédito na longa história da exploração do Torrão é o abandono a que agora foi votada. “A intervenção agora foi feita tendo em conta o bem-estar animal e a saúde pública”, diz sobre as operações que hoje decorrem a cargo da Direcção Geral de Veterinária e do Exército.
E esta exploração não é caso único. Antonieta Santos refere que o mesmo proprietário detém uma outra exploração de suinicultura legal e que a técnica afirma que estava “muito bem equipada”, mas que agora também terá sido abandonada.
O processo foi agora encaminhado para o Ministério Público.
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