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PSP faz balanço da operação que terminou com a morte de um dos dois homens

Assaltantes do BES recusaram-se a negociar com a polícia e ameaçaram executar reféns

08.08.2008 - 15:37 Por Cláudia Bancaleiro, Paula Torres de Carvalho

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Os dois homens que ontem assaltaram uma dependência do BES em Lisboa recusaram-se a negociar com as autoridades e ameaçaram durante o processo de conversação com a polícia, que se prolongou por cerca de oito horas, executar as duas pessoas que mantiveram sob sequestro. O assalto terminou pelas 23h00, quando os dois homens se dirigiram por sua iniciativa até à porta do banco, sob o escudo dos reféns, acabando um deles por ser morto pela polícia e um segundo ferido com gravidade. Os reféns escaparam ilesos.

PÚBLICO


Numa conferência de imprensa realizada esta tarde, o director nacional da PSP, Francisco Oliveira Pereira, adiantou que os dois homens,"com idades entre 25 e 35 anos", estavam em situação ilegal no país e que o assalto que tentaram realizar à dependência bancária terá sido planeado, já que os reféns foram imobilizados com o recurso a algemas de plástico. Ainda de acordo com Oliveira Pereira, as armas utilizadas pelos dois homens “são provavelmente ilegais”.

A identidade e nacionalidade dos dois homens não foi revelada, depois de informações avançadas nas primeiras horas após o assalto indicarem que se tratavam de cidadãos brasileiros, o que não foi confirmado oficialmente. “A polícia não estigmatiza nem pela cor da pele nem pela sua nacionalidade. A única coisa que dizemos é que são cidadãos estrangeiros. Recusamo-nos a confirmar se são brasileiros ou italianos”, respondeu o director nacional da PSP aos jornalistas.

Ao PÚBLICO, o secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, o general Leonel Carvalho, indicou que foram dadas recomendações à polícia para não serem avançados dados quanto à identidade dos assaltantes. O responsável confirmou, porém, que não tinham registos criminais em Portugal e que estavam no país “há alguns meses”. Apesar do director nacional da PSP ter afirmado que os dois assaltantes estariam ilegalmente em Portugal, o general Leonel Carvalho disse que a situação está ainda a ser investigada.

”PSP tentou salvar a vida de todos os intervenientes”

Francisco Oliveira Pereira fez um balanço positivo da operação, onde pela primeira vez foi dada ordem para neutralizar assaltantes, perante a ameaça sobre a vida dos reféns. “Foi uma operação com elevado sucesso”, frisou.

O subintendente do Grupo de Operações Especiais da PSP (GOE), Carlos Ribeiro, também presente na conferência de imprensa, assegurou que foram feitos todos os esforços para resolver o caso através de negociações. “Tentámos as negociações até ao limite. Salvaguardamos a vida de todos mas não conseguimos. A PSP tentou até ao limite das suas capacidades e possibilidades para salvaguardar a vida de todos os intervenientes na dependência bancária. As negociações foram delicadas”, contou o responsável dos GOE, acrescentando que ao longo do sequestro a polícia manteve algumas conversações telefónicas com os homens.

O director nacional da PSP sublinhou que a operação foi “100 por cento eficaz”, e que “o que foi feito foi sempre a favor da vida das pessoas”. “Foi com base nesse pressuposto e na postura deles e foi por isso que tomámos uma atitude definitiva. Não atirámos para matar, atirámos para neutralizar”, reforçou.

Polícia vai investigar relação com outros assaltos

O secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS) adiantou ao PÚBLICO que o caso está em investigação para averiguar a possível relação com outros assaltos a bancos cometidos em Portugal.

Leonel Carvalho explicou que o local do crime foi de imediato vedado para investigação e recolha de possíveis vestígios de ADN que possam vir a confirmar uma ligação com outros assaltos a dependências bancárias.

O responsável do GCS acrescentou que a acção da PSP está também a ser avaliada, um procedimento obrigatório neste tipo de casos para apurar se foram cometidas irregularidades durante a operação.

Assalto terminou com morte de um dos homens

O assalto à dependência do BES de Campolide terminou na noite passada com a morte de um dos assaltantes, ferimentos graves num outro e a libertação dos dois reféns. No início do assalto, eram seis as pessoas mantidas no interior do banco. Quatro saíram durante as negociações com a polícia.

Os assaltantes entraram às 15h05 no interior da dependência do BES, na Rua Marquês da Fronteira, tendo o alerta sido dado por uma mulher que estava a levantar dinheiro na caixa multibanco.

Após várias horas de negociações sem sucesso, os dois homens aproximaram-se da porta do banco com os dois reféns, uma situação que ficou sem explicações por parte da polícia. “Não sabemos explicar essa circunstância. Foi uma iniciativa dos sequestradores”, adiantou o director nacional da PSP.

As exigências que foram feitas pelos dois homens não foram reveladas, mas a polícia informou que pretendiam fugir numa viatura com os reféns.

Às 23h23, ouviram-se tiros disparados por "snipers" e, segundos depois, os dois reféns conseguiam fugir. Um dos assaltantes morreu no local, enquanto um segundo foi atingido no crânio e na face, estando internado Hospital de São José.

O caso, no qual foram cometidos os crimes de roubo e de sequestro, está agora nas mãos da Polícia Judiciária e será depois participado ao Ministério Público.

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