Alcácer do Sal: DGV ainda não inspeccionou segunda suinicultura abandonada
20.12.2007 - 16:38 Por Ana Machado
Pode haver mais animais a morrer à fome e à sede numa outra exploração, legal, em Alcácer do Sal. Trata-se de um complexo do mesmo proprietário que detinha a exploração ilegal onde hoje o Exército e a Direcção Geral de Veterinária retiraram cerca de meia centena de animais mortos. Mais de uma centena de animais em sofrimento foram abatidos.
Lopes Jorge, da Direcção Geral de Veterinária (DGV), nunca tinha apanhado uma situação como aquela com que hoje se deparou no Torrão, em Alcácer do Sal. A Câmara Municipal de Alcácer chamou a DGV e teve de pedir apoio ao Exército para intervir numa exploração ilegal de suinicultura que foi abandonada, deixando a morrer mais de uma centena de animais. Cerca de 50 foram encontrados mortos e tiveram de ser incinerados numa vala no local. Os outros foram abatidos.
O laboratório de defesa biológica do Exército foi chamado a intervir pela primeira vez desde a sua fundação, em Fevereiro de 2006, para se certificar que não havia perigo para a saúde pública.
Mas o cenário encontrado hoje pode não ser caso único. Conforme disse ao PÚBLICO.PT a veterinária municipal Antonieta Santos, o mesmo proprietário detém uma outra exploração, desta feita legal, “que funcionava bem e tinha bom equipamento”, mas que terá sido igualmente abandonada agora.
“Nesta segunda exploração também há suspeitas de animais mortos”, afirma Lopes Jorge que admite que existam também nessa segunda exploração animais ainda vivos em sofrimento.
A intervenção que ocorreu hoje na primeira exploração acabou por acontecer após uma denúncia de um popular à DGV, que se queixou do ruído dos animais em sofrimento aprisionados. O levantamento de um auto de contra-ordenação e o bem-estar animal que estava posto em causa, como lembra a veterinária municipal, obrigou a uma intervenção rápida.
Mas a ilegalidade da suinicultura era conhecida desde 2000. Cabe à DGV legalizar as explorações. Mas este caso, não tendo nunca sido legalizado, “não tinha de fechar”, disse Lopes Jorge. A mesma resposta foi avançada pela veterinária municipal Antonieta Santos, quando questionada sobre o porquê do tardio encerramento da exploração: “Nunca foi mandada fechar porque, oficialmente, nunca abriu.”
Os técnicos no terreno encontraram ali também 14 cabeças de gado bovino sem registo que teve de ser mandado para abate. Antonieta santos confirma que a exploração servia para a venda de animais para consumo.
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