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Entrevista com Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra

Universidades podem chegar aonde a diplomacia não chega

06.10.2009 - 07:00 Por Bárbara Wong

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A Universidade de Coimbra (UC)foi considerada, pelo terceiro ano consecutivo a melhor instituição nacional pelo Times Higher Education Supplement; assim como ocupa uma excelente posição no International Education Directory of Colleges and Universities. E quer continuar a apostar na internacionalização.

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Tem sido feita uma enorme aposta na internacionalização. De que forma é que o Estado poderá apoiar?

A universidade portuguesa no seu conjunto tem demonstrado uma capacidade grande de se internacionalizar, tirando partido da nossa língua, procurando parceiros no campo da lusofonia e na Europa. Compreende-se que a UC, pela força da sua história e prestígio, tem reforçado essa necessidade. Tenho defendido que se verá acrescentar às missões clássicas das universidades, a internacionalização. Esta dá oportunidade de complementar a formação, investigação, quer para estudantes como professores; não apenas como aferição e comparação das melhores práticas, mas sobretudo como a possibilidade de manter uma agenda de diplomacia cultural autónoma.

Como?

Posso-lhe dar alguns exemplos: a constituição de uma rede de bens mundiais de origem ou influência portuguesa, em articulação com a UNESCO e com o IGESPAR. A participação da UC na Comunidade de Universidades do Mediterrâneo, cujos países, em alguns casos estão em situação de guerra, mas que por esta via encontram forma de desenvolver projectos comuns, porque a ciência não tem fronteiras. A criação do grupo de Coimbra de universidades brasileiras, que engloba as 50 melhores instituições, que representam 98 por cento dos programas de pós-graduação e 94 por cento de todos os centros de investigação credenciados no Brasil. O que constato é que universidades como a UC tem capacidade para chegar onde a diplomacia clássica e política nao chega. Espanha já compreendeu isto, o Brasil também e estou em crer que o Governo português devia olhar para o papel que as universidades podem constituir neste campo e apoiá-las.

Porque é que a UC aposta na criação de vários Centros de Estudos Sociais (CES)?

Porque a Universidade de Coimbra é uma Universidade global. A actividade dos nossos grandes centros de investigação prende-se com o mundo global, nao apenas com a cidade ou com o país. Portanto o CES sentiu necessidade de criar uma sede em Belo Horizonte, Brasil, para apoiar os projectos que tem desenvolvido com os investigadores da América Latina. O mesmo acontece em Maputo, Moçambique. Prevê-se igualmente um CES em Goa. A criação do CES em Lisboa é a aproximação aos centros de decisão.

Sente que Coimbra está muito afastada de Lisboa?

Não. A distância está mais nas opções e orientações políticas dos vários governos. Portugal está a tornar-se um país excessivamente centralizado, em Lisboa. Os grandes investimentos públicos continuam a ser feitos em Lisboa. É uma política desastrosa em termos de equilíbrio nacional.

Com toda a experiência de internacionalização já adquirida, a UC não está preparada para ser uma fundação?

Poderá estar, quando soubermos exactamente o que é que isso significa; quando pudermos por nos pratos da balança as vantagens e desvantages de ser uma fundação.

A experiência das universidades de Aveiro, do Porto e do ISCTE, de Lisboa, não dá para perceber o que é uma fundação?

Na minha opinião, ainda não, porque só agora os modelos começam a estar montados e só agora iniciarão o seu funcionamento. Precisamos de saber como se trata a autonomia universitária em matéria cientifica, pedagógica, mas também administrativa e financeira e só quando o soubermos é que podemos optar, em consciência, se há vantagens em adoptar esse modelo.

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