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Entrevista com Seabra Santos, reitor da Universidade de Coimbra

Reitores pedem "um novo relacionamento"

06.10.2009 - 07:00 Por Bárbara Wong

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As conversações e negociações nem sempre foram fáceis entre reitores e Mariano Gago, o ministro para a Ciência e o Ensino Superior.

Ao longo da legislatura, como foi o relacionamento com o ministro Mariano Gago?

Houve altos e baixos. Houve um patamar de relacionamento institucional que ficou aquém daquilo que as universidades necessitam para poder funcionar melhor e desenvolver a sua própria agenda autónoma. Há seis áreas que estão por resolver. Há um novo relacionamento que é preciso construir. O novo ministro tem que se preocupar em olhar para as orientações que as universidades sugerem como fundamentais e restabelecer um clima de confiança entre o ministério e universidades.

Mariano Gago foi mais ministro da Ciência do que do Ensino Superior?

Temos a percepção que há a necessidade de aproximar o sistema universitário do científico. Houve a incongruência de tentar montar um sistema científico de qualidade sem fazer o mesmo no universitário. Temos a percepção que uma coisa não pode ir sem a outra; que são as duas componentes de uma mesma realidade. Não defendo que a investigação científica esteja toda na universidade, mas só se consegue manter um sistema de qualidade se tivermos um sistema universitário que forme com qualidade. É preciso que o próximo ministro seja tanto do Ensino Superior quanto este foi da Ciência e Tecnologia. Actualmente, os dois sistemas estão separados por um ministro comum.

Recomendaria ao primeiro-ministro a substituição de Mariano Gago?

Não. Recomendaria que se olhasse para as linhas de orientação que nós enunciamos e para a preocupação que deveria passar não só pelo nosso ministério, mas por todo o novo Governo, de acabar com a crispação com todos os profissionais. Porque as reformas não se fazem sem os profissionais e muito menos contra eles.

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