Dois colégios privados de Lisboa lideram tabela das melhores médias nos exames
21.10.2006 - 00:04 Por Isabel Leiria
Manuel Bernardes e Mira Rio são os nomes das duas escolas que obtiveram este ano os resultados mais altos na 1.ª fase das provas nacionais do 12.º ano relativas a oito disciplinas seleccionadas pelo PÚBLICO. Repartem a liderança ex-aequo, com a diferença de que o primeiro obteve 13,56 valores de média num total de quase 200 exames. O segundo fez 26 provas.
Este ano há mais escolas públicas nos primeiros 20 lugares do ranking: oito (em 2005 eram cinco). A secundária estatal de ensino regular mais bem classificada é a Aurélia de Sousa, no Porto. Aparece em 11.º lugar. Em termos globais, os resultados continuam a deixar muito a desejar, com 162 estabelecimentos, num total de 587, a ficar abaixo dos 9,5 valores de média.
Ainda não é desta que uma escola secundária pública atinge a liderança da tabela das médias dos exames nacionais do 12.º, assumida este ano ex-aequo pelo Colégio Manuel Bernardes e pelo Mira Rio, ambos em Lisboa. Aliás, desde que os rankings começaram a ser publicados, em 2001, que é constante a sobrerrepresentação do sector privado nos lugares cimeiros.
Mas as diferenças que separam um e outro subsistema não são tão significativas quanto possa parecer numa primeira leitura. Basta ver que entre o Colégio Manuel Bernardes e a primeira escola secundária pública do ensino regular a aparecer no ranking – a secundária Aurélia de Sousa, no Porto, na 11.ª posição – há uma diferença de apenas 0,57 valores na média. Sendo que o colégio fez 194 exames na 1.ª fase nas oito disciplinas previamente seleccionadas pelo PÚBLICO e obteve a média mais alta – 13,56 valores. E a escola do Porto responde pelo desempenho dos alunos internos em mais do dobro das provas (445).
Este ano, o destaque entre as públicas do ensino regular vai mesmo para a Aurélia de Sousa, que salta do 34.º lugar para o 11.º. Em 2005, a primeira pública a surgir na lista era a Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, que este ano caiu da nona para a 24.ª posição.
Desta vez há ainda outro estabelecimento de ensino estatal que se destaca, na 7.ª posição – a Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa. Os resultados (média de 13,04) têm no entanto de ser ponderados com o número de alunos que fizeram exame e o tipo de provas prestadas. Neste caso, a média resulta apenas das notas obtidas por 14 estudantes no exame de Português B.
Aliás, o número de estudantes que realizaram exame é um dos factores mais importantes para interpretar esta listagem das 587 secundárias de Portugal continental e ilhas, que nada mais leva em consideração do que as notas obtidas. No caso do Mira Rio, por exemplo, a escola exclusivamente frequentada por raparigas responde pelos resultados em apenas 26 provas de seis das disciplinas tidas em conta.
Melhores resultados no litoral
Feita a ressalva, os dados são mesmo estes: 20 das 33 escolas que conseguiram média superior a 12 valores são privadas. Ou seja, ocupam 60 por cento dos lugares com melhores classificações. Isto quando representam apenas 17 por cento do total de estabelecimentos secundário do país. Mas se olharmos para o número de exames realizados verifica-se que, do total de provas consideradas pelo PÚBLICO, só 11,6 por cento foram feitas em escolas particulares.
Em termos absolutos, se analisarmos os 20 primeiros lugares, o domínio acentua-se, com 12 privadas aí colocadas. São, ainda assim, menos do que em 2005, quando eram 15.
Todos os anos os rankings têm revelado outra constante e que se traduz na concentração dos melhores resultados nas escolas do litoral, em particular de Lisboa.
Voltando às 33 com médias superiores a 12 valores, constata-se que quase metade (15) é do concelho de Lisboa. Isto quando no conjunto dos estabelecimentos de ensino do país representam menos de dez por cento. O do Porto surge a seguir, com sete, e apenas dois são do interior. Mérito da secundária Abade de Baçal, em Bragança, e do Colégio Nossa Senhora da Boavista, em Vila Real.
Nas cem primeiras posições, o Sul do país só consegue ficar representado por quatro escolas públicas (Diogo de Gouveia, em Beja; Gabriel Pereira, Évora; Padre António Macedo, Santiago do Cacém; e Secundária de José Belchior Viegas, São Brás de Alportel) e uma privada (Colégio Internacional de Vilamoura).
Quase 30 por cento com média negativa
Num sistema de ensino onde os exames nacionais do secundário sempre provocaram a razia nas notas, com praticamente metade dos alunos a chumbar no 12.º ano, também não é de estranhar que haja uma percentagem considerável de escolas com uma média abaixo dos 9,5 valores (fasquia que determina a passagem ou não do aluno). Acontece com 162 (28 por cento).
E tanto assim é que, em 587 escolas, apenas numa a classificação média dos exames supera, ligeiramente, os resultados atribuídos pelos professores aos seus alunos no final do ano lectivo. Trata-se da Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa.
Novidade em relação aos últimos três anos é o facto de a secundária de Pampilhosa da Serra não figurar no último lugar da tabela. A média dos poucos alunos que chegam a fazer exame continua a ser uma das mais baixas, mas a pior de todas em 2006 foi registada na EB 2,3/S Professor António da Natividade, em Mesão Frio. Os alunos que fizeram as 95 provas seleccionadas não foram além dos 6,6 valores de média.
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