D. Dinis com a corda na "garganta" em Coimbra mostra "asfixia financeira" das universidades
27.05.2009 - 16:15 Por Lusa
Os estudantes da Universidade de Coimbra colocaram hoje uma corda ao "pescoço" da estátua de D. Dinis, na "alta" da cidade, para demonstrar que os alunos e as universidades estão a asfixiar com falta de financiamento.
A tarefa não foi fácil para os estudantes, que recorreram a duas escadas, uma escada de madeira articulada, para chegar ao “pescoço” de D. Dinis, com cerca de 12 metros de altura, provocando “arrepios” a muitos observadores.
“Os Estudantes e a Universidade de Coimbra estão a asfixiar”, lê-se num cartão afixado na estátua.
A acção de protesto é organizada pela Associação Académica (AAC), que esta semana irá enviar uma “carta aberta” ao ministro do Ensino Superior, Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro, disse o presidente da AAC, Jorge Serrote.
“O subfinanciamento crónico do Ensino Superior com a crise económica ficou ainda mais agudizado. A Universidade de Coimbra e todas as outras instituições do Ensino Superior portuguesas estão asfixiadas”, declarou. O dirigente estudantil sustenta que “investir em época de crise no Ensino Superior é também uma forma de fugir dela”.
“O Ensino Superior em Portugal está a perder, numa altura em que tantas vezes se discute e fala na Estratégia de Lisboa e numa economia baseada no conhecimento. É uma falta de investimento crasso”, considerou.
Jorge Serrote insiste na ideia de que há estudantes “sem dinheiro para pagar propinas” ou com “bolsas verdadeiramente insuficientes” para assegurar os estudos. “É necessário um reforço financeiro para as universidades e para a Acção Social Escolar”, referiu, justificando a escolha da estátua de D. Dinis enquanto “figura histórica ligada à Universidade”.
Para demonstrar a falta de financiamento do sector os estudantes irão enviar uma carta aberta a várias figuras do Estado, embora o principal alvo seja o ministro Mariano Gago, a quem tencionam dirigir a mesma missiva todos os dias, “até haver uma melhoria da situação”.
“Existe um estrangulamento financeiro que impossibilita as instituições por vezes de funcionar, quanto mais melhorar a qualidade do ensino”, disse.
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